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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Teus olhos



Teus olhos
Teu lume franco

Ateia o meu desejo 
De te ver

Em ti alcanço
Sonhos
De prazer
Que ninguém conhece
De me enrubescer
Se alguém soubesse.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O amor não envelhece




Hoje sabemos que nada passa
(sabemos um mistério)
A vida
Não passa
O tempo
Não passa
De um reflexo
(É incrível)
Nem o sol
Passa
A linha do horizonte

Nem tudo regressa
À beira do rio
Onde nós
Sentados
Éramos felizes
E a nossa imagem
Não era levada
Para o mar

Ainda hoje é assim

Ao passar
À tua porta.




domingo, 13 de fevereiro de 2011

Estou cercado de beleza

A cidade os campos o rio
E as colinas
Por todo o lado
Estou cercado
De beleza
E me rendo sem defesa
Às distâncias
Que berram
Do mundo
Acorda o vento
De sono profundo
As aves
Aterram
Na névoa
Dos meus olhos
Vagabundos
Erram
Não sabem
A esperança
Do poeta
Da escuridão completa
Imagina o sol
A morrer
Mas ainda vivo.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Deus


Nenhum mar me pertence
Da água saciedades
Nada mais recolho
Do pavimento
Da rua
Às praias
Dos olhos
Nenhuma estrela
Circum-navega
A cidade
Flutuante memória
Tocada pelos ventos
Esta calma
Tem a largura da claridade
Que eu sequer soube
Pedir
A Deus
Verdade seja
A árvore
Não me pertence
O não pertencer também é
Verdade
Que cresce e o ar agita
Pelo menos um pouco
Do que parece
É
Um pouco do que desejamos
Que fosse
Acontece.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Amor todos os dias




Ao sopro do mar
Soltas os cabelos
Ao sol
O teu sorriso
Sem vergonha
O vento
(Ou os meus dedos)
Solta o laço
Das tuas qualidades
Mais não faço
Que procurar
Uma justificação
Para a vida.


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Do céu à terra


Eu olho
Da terra para o céu
Não do céu para a terra
De mim para tudo
Nada me encerra
E não levo
O mundo
Ele é que me leva
E é
No mundo que escrevo
E me encontro contigo
Que faço o que devo
Que calo
Que digo
Não imaginas
Como te sinto
Ausente
A falta que fazes
De manhã à noite
Como se os versos
Não fossem remédio
E nesta cidade
Não houvesse gente.


sábado, 29 de janeiro de 2011

O meu amor por ti



O meu amor por ti
Não é de perguntas
E de respostas
Não é estado
Nem condição
Triunfo  
De coisa nenhuma
Canção
Por ti
Meu amor
Incrível flor
Sem terra
Que se abre
Débil
Esperança no deserto
Mais que o eco
Sobrevive  
A certezas
Costumadas
Às palavras
Ao vento
À canção
Que mais ninguém ouve.


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Mas o tempo passou

Desta vez lembrei-me do cavalo
De um tempo que não passava
Isso sim era tempo
Eu não temia
Aventurava
E cada noite
E cada dia
Mais gostava
Do meu cavalo
Que pedi aos saltimbancos
E mo deram
Ou sem que eu saiba
Mo compraram
Na feira mais bonita
E mais saudosa
Em que estiveram
As pessoas menos sorumbáticas
Da história
O tempo passou
E o meu cavalo
Não gostou
E morreu.

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