segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O céu e a terra

  
O céu e a terra não te são suficientes
mas terás de te conformar?
O presente não é tudo o que precisas
e o passado continua a assombrar?
O futuro não te deslumbra mais
mas há razões para esperar?
Sentes que tudo poderia ser melhor
mas estás a sonhar?
Não perdeste tudo o que tinha valor
e tens muito para recordar?
Sabes distinguir uma pessoa de um objecto
Ou continuas a tactear?
Não compreendes nada do que acontece
mas fazes por te orientar?
Os acontecimentos ultrapassam-te
E não os consegues acompanhar?
Tudo pode ser melhor
mas a tendência é para piorar?
Há quem diga que está tudo como sempre
mas tu poderás mudar?

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Sem tocar-te


Sem tocar te sinto e
em te pensar
tanto
ou mais que
ao ver
só de imaginar tocar te quero ter te amar.


sábado, 10 de dezembro de 2011

Não é segredo para ninguém


A teoria da felicidade
Não é segredo para ninguém
Mas quem sabe
Ser feliz
Quem
Com lágrimas de saudade
Sem pensar
Se é verdade
Fala aos astros
Da alegria do canto
Dissipando nuvens
Acenando
Sem perguntar
Se é errado
Ninguém está perdido
Ou achado
Ao sentir sem sentido
E sem culpa
O tempo esquecido
Em algum lugar
Em nenhum lugar
Em todo o lugar
Em qualquer lugar.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Também és bela



Esta chuva é perfume
vida
intransponível
bela

como ela

tu
amada
terra
de memórias
cercada
é o que sonho
não o que preciso.



sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A cultura dá-te asas



Dizem que te pende um pouco
o nariz
que te pesa no rosto
o olhar
que curvas ligeiramente
a cerviz
ao carregar
com o mundo
às costas
com as perguntas
e as respostas
a cultura dá-te asas
quando lhe dás a mão
compreendeis tudo e todos
com razão.




quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A vida mata



Por aqui
os gatos miam
os pássaros cantam
o rio corre
e o vento passa…

não vejo ninguém feliz
e a felicidade perdeu a graça
por aqui
neste lugar tão belo

um castelo
do imaginar ao fazer
a distância do acontecer
uma vida
muito comprida…

nada está perdido
por aqui
só o sentido

as intenções é que são
uma ameaça

o saber é sabido
ser
ou não ser
amigo.



domingo, 6 de novembro de 2011

É de mim


Falo daquelas ruínas
E é de mim
Do que os nossos olhos não viram
Daquelas matérias-primas
A propósito da construção
Do mundo
Do que restou
Dos perigos
Que é muito
Que é imenso
Mas não basta
Quando falo dessas coisas
De factos e mais
De ausências cruciais
Inexistências
Como se falasse de aparências
Sem alegria
Como se a poesia fosse o que falta
À fantasia
Como se a fantasia fosse um estaleiro
De sucata
Que avistamos da janela
Da prisão perpétua.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Um sonho

  
Foi um sonho
Não foi uma ilusão
Podia ter sido uma carga
De trabalhos
E como seria bom!
Mas não.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Três metros quadrados um burro e uma sexta-feira

                                                                                                                                                                                                                                                                                                          
Três metros quadrados não chegam
Para fazer um burro
Três metros quadrados e um burro
não chegam
Para fazer uma sexta-feira
Uma sexta-feira não chega
Para fazer três metros quadrados
Nem com um burro em contrapeso
Quanto mais para fazer um burro
Sem três metros quadrados
A alegria
De haver outras possibilidades
Não chega para apagar
A tristeza.
                                                                                                                                                                      

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

domingo, 21 de agosto de 2011

Cuatro vientos


Altas temperaturas
chuva e
vento forte
focos de incêndio
quedas de árvores
trânsito cortado na A8
operações de socorro
na Marinha Grande

Papa encurta discurso
na vigília de oração
nas Jornadas Mundiais da Juventude
nas imediações de Madrid
no aeródromo de Cuatro Vientos

Lembrar-me-ei?
Quando a tempestade passar...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Para trás da frente



Já te estão a passar para trás da frente
OK
vou aguardar
estoicamente
amor
realmente
não é um direito
felizmente
é um defeito
que não cabe no peito
infinitamente maior
que a dor
de não estar contigo.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Até um dia destes



Perdido na garridez das palavras
bifurcadas
nomes que se erguem
dificilmente
da sombra tumular
amieiros
de mórbidos janeiros
guarnecidos de frio
engulhos
de diversos tamanhos
pedregulhos
plantados nos anos.



sexta-feira, 8 de julho de 2011

Nem tudo pode ser dito por palavras



Nem tudo pode ser dito por palavras
quando os teus olhos partem
o meu coração
para dizer-te quanto me agradas
bastasse um poema
bastasse esta canção

de amor
paixão
mas o silêncio às vezes diz
melhor
aquilo que nos vai na alma

nem tudo pode ser dito por palavras
quando o sentimento é mais
que uma ilusão
para dizer-te adeus 

tropeço
nas palavras
e espero que me dês a mão

meu amor
meu amor
não estou a dizer nada que não soubesses
 posso dar-te tudo o que mereces. 


terça-feira, 21 de junho de 2011

Vou ter saudades tuas



Ainda estou contigo
E já sinto saudades
Deste momento impossível de descrever
Como se já estivesse
Apenas a reviver
O que ainda acontece
E não vivesse
Como se o facto de saber
Que vamos cada qual para seu lado
Me dissesse
Que este momento ainda é futuro
E já é passado
Ainda é amor/desejo de te amar
E já é o fim anunciado
Ainda estou contigo
E já estamos noutro lado.



sábado, 11 de junho de 2011

Estrelas da minha noite



Olhos de água pura
estrelas da minha noite
onde estais
últimas flores de abril
sentinelas do meu coração
janelas abertas
do meu desejo
de pegar
na tua mão.


domingo, 5 de junho de 2011

Bendito o teu olhar

Bendito o teu olhar
Que fulge
Sobre tudo o que há escrito
Tens um ar
Bendito
Atrevo-me a pensar
Volupto
Mas não o tenho dito
Porque me tremem
Os lábios
Quando te fito
Não posso dizer
Simplesmente
Vem
É o que sinto
O mundo não está preparado
Para a felicidade
Continuarei a pensar
Em marcar um encontro contigo
À entrada do paraíso.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Poema por dizer



Onde houver poema
por dizer
eu vou
cantar
quanto precisamos de perder
até ganhar
sobre as vagas
memórias
do nosso mar navegam
muitas histórias
por contar
quanto precisamos de viver
até parar
a paixão que faz acontecer
e faz sonhar
de quantas partidas
sem regresso
é a saudade
quanto precisamos
de sucesso
p’ra felicidade.



sábado, 14 de maio de 2011

É por seres como és



é por seres como és
que te sinto
imensidão
deserto
instinto
tão perto
de um labirinto
aberto
tão certo
que acredito
nos teus olhos
de um escuro infinito.

sábado, 7 de maio de 2011

Amo



Amo o que aprendo 
a sentir
sem medo
da noite
cair
do meu ser
para a madrugada
antes de ser

saudade
depois de ser

sonho
de verdade
não existe nas coisas
mas gostava que existisse
íntima
como o teu ventre
florisse.

sábado, 16 de abril de 2011

Sonhei



Sonhei com jardins proibídos
E o perfume do paraíso

Eras tu

Sonhei que a vida era bela
E  eternas as fontes dos sentidos
A cantarem
Nos nossos lábios
De sede
Se beijarem
Sábios
Se calarem

Que éramos mais
Que um episódio da vida
Das personagens
De nós
Mais que o eco
A voz.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Rotina


Já era tarde quando cedi 
E joguei
Ao faz de conta da vida
Que conta
Como conta um jogo
Um torneio

Um campeonato
Mas os jogos aprendem-se 

A jogar
E quem joga melhor
Tem mais hipóteses
De ganhar
Jogar para perder
Não pode durar muito
E quem muito perde
Fica mais indefeso para
Deixar-se enganar.



segunda-feira, 21 de março de 2011

As coisas não têm de ser como são



A primeira vez que pus música
Onde só havia silêncio
Foi como a primeira vez que
Numa rua sem vivalma
Pus personagens a circular
Para me convencer
De que as coisas não têm de ser
Como são
Mas como nós queremos
Onde havia uma casa fechada
Abri uma confeitaria
E onde havia nada
A entrada
À poesia
A uma mulher que ia
À sua vida
Com duas tempestades
E a mesma escuridão
Nos olhos
Vi relâmpagos divinos
Na noite
De amor
Num deserto
Que nos escutava.


terça-feira, 15 de março de 2011

Na rua do ocaso



Na rua do ocaso é proibido fazer
Marcha atrás
É obrigatório subir ao pináculo
E alcançar o horizonte
Que jaz
Em lutuoso habitáculo
Contornar a ideia de paz
Que a existir poderia ter sido ali
A muralha de melancolias aos pés
Todos os olhos para evitar tropeções
A derrocada vertiginosa do que és
Mas há uma saída
Airosa
À esquina da Travessa
Da memória engrandecida
Pela tua promessa.


terça-feira, 8 de março de 2011

Não me digas que não


Não me digas que não
Que é cedo ou tarde
Não me fales por enigmas
Embora eu não me canse

Não me digas que não
Que eu não mereço
Ou então não digas nada
E dá-me o que te peço

Podes crer que sou
O único sobrevivente

Não
Eu não sou um desertor
Das refregas de amor
Das mil e uma noites

Se nos virem abraçados
Não te lembres de morrer
E se nos virem deitados
Não te lembres de dizer

Ajudem-nos a levantar
Porque estão caídos.


sábado, 26 de fevereiro de 2011

Entrego-me à noite

 

É o que sei
Se não o melhor
É o que faço
Entrego
À noite
O meu pedaço
De escuro
Afogo no seu regaço
A estrada
Sem regresso
A lado nenhum
Murmuro
E adormeço.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Pinta-me



Em busca da máscara perdida
Estás nua
Entre os animais
As palavras que te vestem
São transparentes
De mais
Os teus cabelos
São como ministros
De um governo fantoche
A impedir o sol
De tocar
Na sua responsabilidade
Como um idiota
Poderia conspurcar
A tua beleza
Perguntando
A idade.



sábado, 19 de fevereiro de 2011

Teus olhos



Teus olhos
Teu lume franco

Ateia o meu desejo 
De te ver

Em ti alcanço
Sonhos
De prazer
Que ninguém conhece
De me enrubescer
Se alguém soubesse.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O amor não envelhece




Hoje sabemos que nada passa
(sabemos um mistério)
A vida
Não passa
O tempo
Não passa
De um reflexo
(É incrível)
Nem o sol
Passa
A linha do horizonte

Nem tudo regressa
À beira do rio
Onde nós
Sentados
Éramos felizes
E a nossa imagem
Não era levada
Para o mar

Ainda hoje é assim

Ao passar
À tua porta.




domingo, 13 de fevereiro de 2011

Estou cercado de beleza

A cidade os campos o rio
E as colinas
Por todo o lado
Estou cercado
De beleza
E me rendo sem defesa
Às distâncias
Que berram
Do mundo
Acorda o vento
De sono profundo
As aves
Aterram
Na névoa
Dos meus olhos
Vagabundos
Erram
Não sabem
A esperança
Do poeta
Da escuridão completa
Imagina o sol
A morrer
Mas ainda vivo.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Deus


Nenhum mar me pertence
Da água saciedades
Nada mais recolho
Do pavimento
Da rua
Às praias
Dos olhos
Nenhuma estrela
Circum-navega
A cidade
Flutuante memória
Tocada pelos ventos
Esta calma
Tem a largura da claridade
Que eu sequer soube
Pedir
A Deus
Verdade seja
A árvore
Não me pertence
O não pertencer também é
Verdade
Que cresce e o ar agita
Pelo menos um pouco
Do que parece
É
Um pouco do que desejamos
Que fosse
Acontece.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Amor todos os dias




Ao sopro do mar
Soltas os cabelos
Ao sol
O teu sorriso
Sem vergonha
O vento
(Ou os meus dedos)
Solta o laço
Das tuas qualidades
Mais não faço
Que procurar
Uma justificação
Para a vida.


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Do céu à terra


Eu olho
Da terra para o céu
Não do céu para a terra
De mim para tudo
Nada me encerra
E não levo
O mundo
Ele é que me leva
E é
No mundo que escrevo
E me encontro contigo
Que faço o que devo
Que calo
Que digo
Não imaginas
Como te sinto
Ausente
A falta que fazes
De manhã à noite
Como se os versos
Não fossem remédio
E nesta cidade
Não houvesse gente.


sábado, 29 de janeiro de 2011

O meu amor por ti



O meu amor por ti
Não é de perguntas
E de respostas
Não é estado
Nem condição
Triunfo  
De coisa nenhuma
Canção
Por ti
Meu amor
Incrível flor
Sem terra
Que se abre
Débil
Esperança no deserto
Mais que o eco
Sobrevive  
A certezas
Costumadas
Às palavras
Ao vento
À canção
Que mais ninguém ouve.