domingo, 19 de junho de 2016

Não há volta a dar



A verdade é esta
a ciência e a tecnologia substituem tudo
com muita velocidade
mas nenhuma ciência restitui a minha vontade
cura a minha melancolia
a minha saudade
nenhuma ciência ou filosofia
me devolve aquele mundo
a minha verdade
de ser feliz
o indescritível prazer
de estar na eternidade
como num quadro emoldurado
de tudo o que é preciso
para que a mudança só acontecesse
a meu gosto
e eu de todos e tudo
dispensasse um juízo
nenhuma ciência filosofia arte
ou religião
nenhum conhecimento ou ação
me devolve a paixão
do que era preciso
para ser feliz
nada agora
olhando com todos os olhos
construídos
de esforços para o merecer
é o que eu queria
tudo me foi sendo negado
em nome de algo
que eu devia
fui sendo educado
e sofria
na promessa de que valia a pena
se valeu para os outros
não valeu para mim.


sábado, 11 de junho de 2016

Parar não é morrer


 Não tombem pássaros
em voo cansado
nem muito ao de leve 
toquem
das ondas frescura
da miragem breve
do velame assombrado
da nau amargura
até passar
o mar
a liberdade
arrebatará 
os mensageiros 
da tarde.


domingo, 5 de junho de 2016

Maldito dever


Acabei por ter de fazer
o que nunca quis
deixar a estrada
o caminho que fiz
a fantasia da natureza
amada
com seus relógios
de sol e de lua
e de água
seus ritmos de frio
calor e chuva
e trovoada
seus perigos selvagens
encantos e miragens
em troca de nada
deixei tudo
que me fazia feliz
porque tinha de ser.
Maldito dever.