sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A cultura dá-te asas



Dizem que te pende um pouco
o nariz
que te pesa no rosto
o olhar
que curvas ligeiramente
a cerviz
ao carregar
com o mundo
às costas
com as perguntas
e as respostas
a cultura dá-te asas
quando lhe dás a mão
compreendeis tudo e todos
com razão.




quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A vida mata



Por aqui
os gatos miam
os pássaros cantam
o rio corre
e o vento passa…

não vejo ninguém feliz
e a felicidade perdeu a graça
por aqui
neste lugar tão belo

um castelo
do imaginar ao fazer
a distância do acontecer
uma vida
muito comprida…

nada está perdido
por aqui
só o sentido

as intenções é que são
uma ameaça

o saber é sabido
ser
ou não ser
amigo.



domingo, 6 de novembro de 2011

É de mim


Falo daquelas ruínas
E é de mim
Do que os nossos olhos não viram
Daquelas matérias-primas
A propósito da construção
Do mundo
Do que restou
Dos perigos
Que é muito
Que é imenso
Mas não basta
Quando falo dessas coisas
De factos e mais
De ausências cruciais
Inexistências
Como se falasse de aparências
Sem alegria
Como se a poesia fosse o que falta
À fantasia
Como se a fantasia fosse um estaleiro
De sucata
Que avistamos da janela
Da prisão perpétua.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Um sonho

  
Foi um sonho
Não foi uma ilusão
Podia ter sido uma carga
De trabalhos
E como seria bom!
Mas não.