domingo, 29 de dezembro de 2013

Mundo em ruínas


Perdoem-me se rio
Enquanto caminho 
No mundo 
Em ruínas
De mãos dadas com uma mulher 
Que resplandece
Perdoem-nos esta vontade 
De viver
Galgando 
Sonhos 
Desfeitos 
Até aos cumes do que acontece.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

As coisas não têm de ser como são



A primeira vez que pus música
Onde só havia silêncio
Foi como a primeira vez que
Numa rua sem vivalma
Pus personagens a circular
Para me convencer
De que as coisas não têm de ser
Como são

Onde havia uma casa fechada
Abri uma confeitaria
E onde havia nada
A entrada
À poesia
A uma mulher que ia
À sua vida
Com duas tempestades
E a mesma escuridão
Nos olhos
Vi relâmpagos divinos
Na noite
De amor
Num deserto
Que nos escutava.


domingo, 22 de dezembro de 2013

Este Natal



Este Natal está ainda mais cheio
de memórias
mais vazio de riquezas
perdidas
mas o meu coração
está onde está
o meu tesouro
não as minhas certezas
este Natal está ainda mais cheio
de incertezas
e isso dá-me esperança
num mundo em que as pessoas
parecem senhores
de uma verdade
triste.


domingo, 15 de dezembro de 2013

Vocês já viram

A rua sem cidade
o caminho do princípio
ao fim do mundo
a concavidade
dos pensares
das florestas
do deserto
dos sentires
a sinuosa linha
do seres
entre o longe e o perto
saberes
as aves à espera
de um dia ainda
mais longo
que a noite
quantos morreram
sem que nada mudasse
o registo de tudo
na face da terra
que é a nossa face.


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Não mates o poeta


Como o douro sente
As margens alagadas
Do céu
Não impeças a terra
De se exaltar
Na luz
Amparado
Por sabermos
Que não seremos os melhores
Dos que passaram
Não mates o poeta
Que resta

E não encontraram.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Vejam como o tempo passa



De alguma janela
Se avista
Algum lugar perdido
Para sempre
O olhar
Se escusa
Ferido
Com o tempo
Se fecha
O tempo
Quanto mais não seja
Passa
Não passa?
Não o vejo!

sábado, 7 de dezembro de 2013

Sei

Sei o imenso sol laranja
Seio que roça a minha face
Aos poentes fatais

Me engano eu
Que nada mais
Me engana

O brilho dos teus olhos doces
O fogo entre nós
Funde-nos como se fosses
A boca da minha voz

Sei os
Teus seios
Na paisagem desfocada
Das respostas difíceis
Às interrogações da luz

Mas não sei o peso
Das palavras que digo
Depois de ser salvo
Por esse silêncio
Desconhecido.