sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A filosofia vai ter um sucesso do caraças.


Quando se trata de perceber, compreender, investigar, questionar, desconstruir, já não estamos a falar para pessoas que têm como grande preocupação, ou preocupação exclusiva, sobreviver às injustiças e às falsidades perpetradas e cultivadas intensivamente, como quem cultiva e consome cannabis...
Mas vale a pena, tem que ser e é esse o rumo.
Pode ser necessário velejar à bolina, mas o "capital" da ignorância é demasiado valioso e poderoso para ser deixado nas mãos dos ladrões que, sem escrúpulos, a colonizam como um fungo maldito, transformando em deserto tudo à sua volta.
Neste tempo de ópios, futebóis, seitas a imitar as "respeitáveis" igrejas, partidos enformados como seitas, Estados organizados por esses todos, num espetáculo de crime e corrupção, que é ofuscado pelas telenovelas e pelos "shows" de Gouxxass e Ferrreirass e outros entretenimentos de grande sucesso e maior proveito para uns quantos, de jogos de uma dimensão épica nunca vista, nos telemóveis e no momento de morrer, a filosofia vai ter um sucesso do caraças.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

O que importa é a Arte

Ao fim e ao cabo, ociosidade dos discursos à parte, o que importa é a arte. A arte está para a evidência como "o campo" está para a verdade desportiva. Não me refiro apenas às "leges artis", refiro-me sobretudo às habilidades. Nem todos temos habilidades, por ex., para endrominar um júri. Nem todos temos habilidades para fazer o mortal à retaguarda ou voar numa bicicleta, ou grafitar o último animal extinto...Como eu gostava que me ensinassem essas artes! Trocava grande parte dos meus saberes e conhecimentos pela arte de dar cambalhotas sem apoio e sem parar...

domingo, 4 de novembro de 2018

O direito é como o natal

Todos abanam com a cabeça e ninguém tem dúvidas, mas cada cabeça é um centro de vontades e de ignorâncias e de competências. Os políticos, como se tem vindo a confirmar, gerem esta realidade de um modo hábil e oportunístico. 
Os políticos são oportunistas e, se o não fossem, não tinham votos.
Não há como ultrapassar este problema. Tem que se dar às pessoas o que elas querem. 
Não querem direitos humanos? Estão no seu direito. Querem pena de morte? Estão no seu direito. Querem mais direitos para as pulgas ou os cães do que para as pessoas? Estão no seu direito. 
Basta reconhecer o direito às pessoas.
Mas estamos cada vez mais longe de ver reconhecido(s) o(s) nosso(s) direito(s).
O problema fundamental ainda não foi resolvido, qual seja: a que é que uma pessoa (de África, Ásia, Europa, América, Oceania...)tem direito? O que é o direito de uma pessoa? Quais são os direitos de uma pessoa?
O direito é como o natal, é quando uma pessoa quiser...
Talvez devamos concluir que as pessoas não precisam de Declarações de Direitos para saberem o que deve ser o seu direito.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Partido da neutralidade


Pela neutralidade é tomar partido, tanto ou mais que ser contra ou a favor. É urgente que se reconheça o partido da neutralidade, com todos os respeitos e garantias que lhe são devidos. E não só a neutralidade, também a indiferença. Respeitemos. 
Não obriguem ninguém a tomar outro partido. 
O partido dos neutros e dos indiferentes é esse, o partido deles. 
Ou os outros são melhores? 
Não obriguem ninguém a nada mais que respeitar. 
A cultura da partidarização já foi longe de mais. 
Vamos iniciar um ciclo inédito de despartidarização de tudo e de alfabetização construtiva. 
O futebol da política está a ir, quando a política do futebol já está a voltar. 
A bandeiras despregadas!!!

Nota: eu não sou neutro, nem indiferente.

domingo, 28 de outubro de 2018

O povo

O povo tem um sentido prático que chega a ser espantoso.
O povo só aprecia tragédias na tela da televisão ou do cinema.
E é capaz de trocar tudo o que tem, incluindo a dignidade, por um pouco de paz e de misericórdia.
Para por um povo em armas é preciso que o fim do mundo já tenha acontecido nos arredores,
ou que, num arrebatamento de soberba, sem medo, acredite numa vitória expiatória. 
E, ainda assim, alguém tem que lhe dar as armas e a ordem para se defender, ou atacar.

As coisas não têm de ser


As coisas não têm de ser 
nem têm de ser como são
nem são
entre a vida e a morte
não há
aventuranças
nem há entre a vida e a morte.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

A questão de Deus


               Como tratar da questão de Deus sem nos envolvermos numa questão da própria questão?
               O significado da palavra chega a ser profundamente contraditório. Desde significar um objeto inerte, uma imagem, um desenho... até significar um animal, um fenómeno natural ou simplesmente fantasiado... ou um conjunto de atributos políticos, morais, estéticos, espirituais...tudo deste nosso reino que muitos acreditam poder descrever outros, completamente diferentes, que possam existir...indo do simbólico até ao conceitual, do objeto de adoração, ou simplesmente de indagação, indiferença ou rejeição, a princípio legitimador de prescrição e de ação e, até, de critério de sanção, Deus é um problema do homem que este resolve do modo que pode, lhe parece melhor, ou dá mais jeito.
             Interrogar "o que é Deus?" é diferente de interrogar "que significa a palavra Deus?" e de interrogar "quem é Deus?" e de interrogar "Deus existe?".
            Debalde se procurará uma resposta objetivamente definida para qualquer dessas interrogações.
           O próprio significado da palavra Deus, que pareceria mais suscetível de ser conseguido objetivamente, depara com subjetividades intransponíveis, talvez por se tratar de algo que, apesar de ninguém saber o que é, tem tantas definições quantas as pessoas que o definem, ou mais.
           Quanto a isso, eu designaria Deus como um significante sem significado, ou, à procura de significado, ou como uma personagem à procura de um actor. E o universo, uma obra à procura de um autor.
           Deus é uma realidade cultural e, como tal, tão histórico como a bíblia, ou os faraós. Enquanto que a bíblia e os faraós são objetos reais e culturais, Deus deixou de ser objeto real (animal, etc....), deixou de ser ídolo e é uma espécie de abstração sobre si mesma, à procura de concretização de que essa mesma abstração está fecundada.
           Para o filósofo, ou para o cientista, Deus é um conceito muito restrito, reduzido a hipótese teórica de Inteligência criadora do universo.
           No entanto, essa hipótese dá azo ao desenvolvimento de teorias que a discussão tradicional entre ateus e crentes, fiéis ou não, tem impedido de acontecer.
           É neste plano que me parece que os ateus também laboram em crenças e, tentar combater crenças com outras crenças é tão impróprio e ineficaz como combater uma religião com outra, embora isto seja uma fatalidade das crenças e das religiões.


sexta-feira, 12 de outubro de 2018

(Des)humanidade


O tema das universidades europeias é de suma importância, pelo que vi tratado, com inusitada competência, no livro «Os intelectuais na Idade Média», de Jacques Le Goff.
De cada vez que recuo no tempo para tentar encontrar o tempo presente verifico, porém, que as grandes questões filosóficas e religiosas continuam em aberto, como no paleolítico, neolítico, etc..
Vivemos aprisionados dentro de um universo que vamos conhecendo cada vez mais. 

Cada vez mais capazes de descrever e de explicar como funciona. 
Mas o nosso problema humano é outro. 
Que é que substitui ou satisfaz a nossa vontade? 
Pudesse ter todas as verdades no bolso da camisa. Fosse Deus.
Como é que isso iria resolver aquele problema da vontade?
Ou, dito de outra forma mais prosaica, um voto serve para alguma coisa?
E se forem todos os votos?
Vivemos numa sociedade que, embora evoluída cientificamente, se mantém arcaica e que não aprendeu, nem aprende com os erros e as dores dos outros, porque destituída de passado, ou, pelo menos, destituída da consciência desse passado, completamente descredibilizada na sua competência para resolver problemas sociais de sempre, mais empenhada no estudo da física atómica e dos astros do que no estudo dos problemas sociais e político-económicos, mais apodítica sobre as rochas e os meteoros do que informativa sobre a justiça e as desigualdades sociais, com mais conhecimentos sobre as galáxias do que sobre os factos sociais, mais segura das característcas físicas da matéria do que assertiva quanto às qualidades dos organismos vivos, a resvalar em movimento acelerado para mais uma catástrofe provocada por uma coisa irracional chamada (des)humanidade.
Faz falta um Newton e um Einstein e um Schrodinger das Ciências Humanas e Económico-Sociais.
Mas continua a ser muito mais difícil do que pareceria no dealbar das revoluções...