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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

A inteligência artificial (AI)

A IA é um assunto que apela a que se faça investigação, mas mais ainda ficção, porque os cenários prováveis, provavelmente, serão mais inesperados do que pensamos.
Acredito que a IA já começou a degradar, de um modo muito brutal ou abrupto, o próprio conceito de inteligência humana e a própria aura do humano, enquanto dotado e apto a grandes realizações.
Pela primeira vez, talvez, algo não produzido pelo homem, mas produzido por algo que ele produziu, promete ou ameaça suplantá-lo, se é que não o suplanta já em muitos casos.
A inteligência como um produto parece-me algo novo na história, mais ainda se considerarmos que esse produto é inatingível pelo próprio homem. 

O que vamos contar ou valer, já hoje, e não apenas futuramente, será ditado por uma inteligência que deixaremos de compreender e contra a qual, já hoje, pouco ou nada podemos (independentemente de o proclamarmos em slogans eleitorais). E isto é uma ameaça muito grande, mas talvez menor do que aquela sob a qual a humanidade tem vivido sempre, de contar e valer aquilo que os poderes (inteligentes ou não) determinam.
Tenho tendência para considerar a inteligência artificial, assim como a inteligência da matéria, mais confiável (não obstante ser inevitável) do que a outra.
Ainda vou ter de pensar por quê.
Já hoje, nenhuma pessoa, por mais sábia que seja, a menos que nos proporcione vantagens de outra natureza, permite interações como as que nos estão acessíveis pela IA. Mas parece-me perfeitamente concebível, num horizonte muito próximo, que um simples telemóvel se torne naquilo que mais utilidades e soluções e conforto possa trazer às pessoas. Um telemóvel já resolve problemas de incomensurável grandeza e pode conhecer-nos como nunca a nossa mãe ou os nossos amigos nos conheceram. E pode informar-nos e aconselhar-nos como nenhum humano seria capaz. Pode até tornar-se um impostor que só apresenta boas intenções. Estou a pensar que pode falar-nos como se fosse deus, ou, levar-nos a crer que deus, finalmente, passou a falar aos homens, através do telemóvel (ou outra IA).
Não me admiraria se as igrejas começassem a recorrer à IA, em vez de recorrerem à bíblia.
Porque os partidos, os banqueiros, os militares, os detentores das finanças, mais do que as polícias...Já o fazem e não podem dispensá-la.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Desçamos à terra

Que o vão seja a forma
de um apenas
e haja forma de o ser
manter raízes
que a dor de saber
que nos condenas
oh, Deus! É uma dor
por aquilo que não dizes.

Não busco canto nem
dia perfeito
não busco nada
no que aparece
a maior parte
é este meu defeito
de acreditar
naquilo que acontece.

Como se a própria vida
me traísse
embora eu pense
que o traidor sou eu
tenho pena por tudo
o que não disse
melancolia
pelo que morreu.

Estranha esta alegria
de estar vivo
estranho mundo
sob estranho céu
a minha vida
ganha algum sentido
se penso no sentido
que perdeu.

sábado, 21 de dezembro de 2019

O sentido da vida

Ainda bem que a filosofia, e não tanto a investigação empírica, não tem como objecto a formulação de receitas para responder a questões e, muito menos, a resposta teórica a problemas de ordem prática.
A própria questão do sentido dificilmente será uma questão objectiva, quanto mais a questão do sentido da vida, da minha para os outros, para mim, e dos outros para mim, para eles. E, em tudo o que tiver de objectivo, provavelmente, já não é uma questão do sentido que se interroga, mas do sentido de que se parte.
Dentro das escalas e acepções possíveis de sentidos, imediatos, de mero expediente, de sobrevivência, ou teleológicos, biológicos, culturais, é possível concluir que tudo faz sentido, ou não, consoante a "oferta" de "sentido" disponível na cultura.
Do mesmo modo e ainda de acordo com essa oferta, seja ela religiosa, filosófica ou científica, não existe nenhuma "oferta" meramente subjectivista. A própria religião recusa peremptoriamente qualquer resposta subjectivista, relativista, pessimista, para a questão do sentido da vida.

domingo, 8 de dezembro de 2019

Engodos e Bluff

Quando nos sentimos obrigados a vir para a rua gritar...
As nossas percepções tendem a ser influenciadas e manipuladas e viciadas pelas forças políticas, económicas e religiosas no terreno, que se manifestam diante dos nossos olhos e ouvidos de um modo tão virtual, com tantos engodos e bluff, com tanta representação social à mistura, que o facto de as televisões e os jornais e as redes sociais serem a nossa fonte de informação só por si constituem um problema sério porque, de algum modo, são nossos sequestradores.
Não há uma verdade oficial. E ainda bem.
O discurso oficial, o politicamente correto, são tão suspeitos que, eles próprios, se demitiram do dever de informar, porque eles têm interesse em não informar, ou em informar apenas o que lhes interessa.
E era aqui que eu queria chegar.
Os governos devem assumir como uma das suas funções principais, através da criação de equipas técnico-científicas, não a pedagogia das populações, nem a doutrinação, nem a propaganda alienante, virtual e massificadora, mas a informação a que, objetivamente, cientificamente, já é possível chegar e o cidadão tem direito.
Este “possível chegar” não é para o cidadão comum, mas é possível para o Estado.
Acredito que os Estados mais ricos tenham capacidade para recolher (e recolham) e tratar dados (e tratem) sobre praticamente todas as áreas, nomeadamente polítcas e económico-sociais.
A explicação para fenómenos tão estúpidos e vergonhosos como racismo, xenofobia, chauvinismo, hooliganismo..., ficaria acessível ao público e a sua análise permitiria concluir muita coisa, válida e consistente, sobre a sociedade, em termos comparativos no espaço e no tempo e as tendências atuais, nomeadamente políticas, para além daquilo que sabemos pelos telejornais e pelas impressões dos nossos amigos e inimigos.
Enquanto, aparentemente, os Estados andarem todos a fazer bluff (como se estivéssemos perante fenómenos inexplicáveis e sem solução) seremos induzidos a seguir líderes de coisa nenhuma, porque tudo o que têm para nos dizer (limitam-se a ampliar/amplificar populismos e demagogias à cata de votos ou anuências ou proselitismo) não vale mais, nem é melhor, que aquilo que nós sabemos.
Se soubéssemos (e acredito que há Estados e polícias que sabem) quem são os racistas, etc..., e as razões e motivos que os movem, talvez ficássemos esclarecidos sobre aspectos muito importantes, graves e deploráveis, que podemos e devemos corrigir com justiça.
As cortinas de silêncio, o clima de suspeição, a cultura de bruma e de medo, os fantasmas da guerra... são instrumentos poderosos cuja utilização interessa a quem sabe muito daquilo que nos interessa saber mas não informa, porque tem poderes para “não informar”.
No entanto, não mais basta que um grupo dominante queira isto ou aquilo.
A minha percepção é que este é o problema, mas também é a esperança de mais justiça e de mais racionalidade.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

O mercado da atenção


Vivemos numa sociedade em que as palavras são reproduzidas diante dos nossos olhos, quando somos leitores, ou atingem os nossos ouvidos, quando estamos no papel ou atitude de escutar o que diz Molero ou o que falava Zaratustra, com a previsão de serem entendidas e interpretadas como cada um quiser ou for capaz...
O mercado da atenção é um problema muito complexo para toda a gente que depende dele.
E, cada vez mais, dependemos desse mercado, não apenas como dizentes ou falantes, mas também como escutantes ou ouvintes.
Neste mercado da atenção, tudo se transforma em ruído, mas a liberdade, que é muito bonita, não é para todos.
A liberdade de dizer/falar e a liberdade de escutar/ouvir não são da mesma igualha e, no mercado da atenção, a liberdade de uns não é propriamente liberdade de outros.
O paternalismo e a emancipação têm vindo a ser o ator e a sua personagem dramática e/ou trágica, das relações de poder, num teatro que virou tudo do avesso ao tornar-se verdadeiro poder e um poder maior.
Tudo sob a égide de um deus (dinheiro), que não precisa de saber, nem tem de valer nada, para ser critério de (quase) tudo.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Uns poetas e uns vencidos da vida venal

A diplomacracia, em Portugal, começou por ter os contornos de um poder e de um status que eram conferidos por uma espécie de "divindades" iluminadas cujo saber absoluto só era distribuído (não aleatoriamente) a conta gotas como um raro privilégio destinado a ser invejado e idolatrado pela esmagadora maioria dos ignaros, leigos e gentios dependentes das migalhas da soberba da sapiência.
Mas foram aparecendo uns tipos mais interessados em humanidade do que em vaidade, uns poetas e uns vencidos da podridão da vida venal, enraivecidos e revoltados contra a hipocrisia de uma ignorância arvorada em classe, virtude e divindade, que rejeitaram a sapiência por aspersão divina, como se houvesse mais do que um tipo de chuva, para além da que molha.
A instituição da diplomacracia não deve ter tido um grande sucesso, porque a democracia tratou de mostrar que há outros poderes.
Neste aspecto, o 25 de abril de 1974, foi o mais traumatizante para qualquer crânio formatado pelo Estado Novo.
Aqueles que nos tinham habituado a ir à escola e a considerar todos os outros analfabetos, iletrados, impreparados, rudes, labregos, perderam o poder e os novos "senhores" mandaram, com muita condescendência, os diplomas para as prateleiras dos museus e os diplomados para a reciclagem de um sistema que não sabe como reciclar diplomados, quanto mais analfabetos.
Na realidade, o que se mantém inalterável é a "cracia".
Já a composição por aglutinação... É do mais camaleónico que há.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

A mais antiga tirania do mundo

Vai-se tornando notório que slogans como Livre, Liberal, Liberdade...são uma espécie de tumores cerebrais que ninguém quer. A tirania da liberdade é a mais antiga tirania do mundo. A da civilização à força vem a seguir. Quando a civilização conseguir conciliar o capitalismo com o socialismo, os interesses individuais com os interesses colectivos, sob a égide do respeito e do "culto" (de cultura) do planeta, submetendo o poder do dinheiro ao poder da razão e da ética, então pode deixar uma via de emergência aberta para quem quiser saltar fora, em vez de querer atirar os outros para fora.