Blogs Portugal

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

UM NOVO PARADIGMA


A TEORIA GERAL das FORMAS inaugura um novo território da filosofia.

Pela primeira vez, o real, a vida, o humano, o mundo e o conhecimento são descritos a partir de um único princípio: a forma como condição de aparição e de inteligibilidade, como regime vital, linguístico, ficcional, racional e científico e não como essência, estrutura metafísica, ou categoria transcendental.
Reconstruindo a arquitetura do real que conduz, inevitavelmente, à compreensão e à denúncia dos erros, e à dissolução dos equívocos, que moldaram a tradição filosófica, esta obra mostra que a metafísica nasceu de uma confusão estrutural que tomou a forma da aparição pela forma do ser, e revela que o conhecimento é ficção operatória, articulada pela linguagem e estabilizada pela ciência.
A proposta é radical: repensar o real sem metafísica, o humano sem dualismo e o conhecimento sem representação.

A Teoria Geral das Formas propõe três pilares de renovação do pensamento estabilizado:

A Forma Vital - o real aparece pela vida, não pela mente; a aparição é condição biológica, não representação.
A Forma Reflexiva - o humano desdobra o vivido em linguagem, ficção e racionalidade; o pensamento não duplica o mundo, cria mundos possíveis.
A Forma Total - o mundo não é substância nem essência, mas articulação de formas em operação; a totalidade não é absoluto, é horizonte formal.

Sobre estes pilares, a obra denuncia os erros da metafísica - substância, essência, objeto, identidade, ser - e inaugura um NOVO PARADIGMA: o conhecimento como forma, a verdade como coerência, a ciência como articulação, a filosofia como descrição da forma.

A Teoria Geral das Formas é uma proposta radical para repensar o real sem metafísica, repensar o humano sem dualismo, repensar o conhecimento sem representação. É uma obra que não fecha, muito pelo contrário, abre o pensamento, em vez de encerrar o mundo, torna-o inteligível e não repete a tradição, reconstrói-a.

É uma nova arquitetura da realidade e do conhecimento.

             Carlos Ricardo Soares


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Sempre pegaste?


Uma amiga minha

Um amigo meu

E então sempre foste?

Sempre fizeste?

Sempre conseguiste?

Sempre compraste?

Sempre queres?

Sempre vens?

Sempre vais?

 

Em todos os casinos da vida

Apostei sempre as fichas todas

Fui ao mar

E vim de mãos a abanar

Como se precisasse sempre

De provar

Que o meu objetivo não é ganhar

 

E nunca peguei de empurrão

Era capaz de ficar no meio da estrada

Até pegar de raiz

Na terra batida.


Carlos Ricardo Soares

sábado, 25 de julho de 2026

Saramago e "o regresso à caverna de Platão"


Saramago, ao usar a metáfora platónica do mito da caverna, para dizer que a humanidade, mesmo depois de ter acesso ao conhecimento, prefere muitas vezes a segurança simbólica à liberdade cognitiva, está a fazer um diagnóstico cultural, não ontológico, a fazer retórica moral, usando uma imagem culturalmente poderosa para dramatizar uma sensação contemporânea, a de que “as pessoas preferem a ignorância”.
O mito da caverna é, desde a origem, uma metáfora pedagógica, não uma descrição do real.
Mas Saramago formula-o como se houvesse uma “vontade coletiva” que decide regressar à caverna. E aqui começa o problema. 
Não existe uma “humanidade” que decide, um sujeito coletivo que escolhe a caverna. O que existe é formas simbólicas que se tornam dominantes, indivíduos que se deixam absorver por essas formas, estruturas de repetição que substituem a reflexão. 
A Teoria, que estou a desenvolver, vê isto de forma completamente diferente e desfaz o mito do "regresso à caverna". O que há é formas simbólicas que se tornam dominantes quando a forma singular enfraquece. 
O grupo não pensa, logo, o grupo não regressa. O que regressa é a forma simbólica.

Carlos Ricardo Soares

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Alfobre de formas e de interpretações, de equívocos e de equivocação

A cultura é como um alfobre de formas e de interpretações, mas sobretudo de equívocos e de equivocação. Por um lado andamos a pregar a desambiguação, clarificação, assepsia, transparência e a preconizar a não promiscuidade, a ritualização dos significados sociais dos contactos, tentando reduzir ao mínimo as zonas das intenções que não se manifestem, ou seja, por um lado, não queremos laborar, nem incorrer, em equívocos sobre aquilo que os outros pensam, ou pretendem, de nós e, por outro lado, há zonas do foro individual, imperscrutáveis, até para o próprio indivíduo, que nunca saberemos, se elas não tiverem expressão manifesta inequívoca.
O problema da interpretação das formas, sexualizadas pela cultura, salvo melhor opinião, não pode deixar de ser visto segundo os códigos, mais ou menos implícitos, de interpretação dessas formas, uma vez que elas existem por isso e para isso. 
A cultura nunca é apanhada de surpresa quando se trata de formas culturais, culturalmente construídas. Elas têm a sua função. Mas o que há mais é quem se equivoque e equivoque e não queira saber de equívocos, porque, por exemplo, se está nas tintas e decide interpretar como lhe der na veneta. 
Qual a origem do equívoco quando pensamos que o que nós fazemos "deve" ser interpretado como nós queremos, ou gostamos, e não como os outros podem interpretar? 
Existe um modo culturalmente adequado, eticamente correto, de interpretar aparências de pessoas, nomeadamente em função dos contextos?
E nós, de que estamos à espera? Somos cúmplices da tirania cultural, ou oferecemos-lhe resistência?

           Carlos Ricardo Soares


terça-feira, 2 de junho de 2026

A Educação que interessa ao mercado e a outra

Estou a concluir uma teoria que enfrenta, entre outras coisas, o problema da Educação como um problema de ordem pública estadual e um problema da humanidade. 
As perguntas e as respostas que encontro são muito fecundas e esclarecedoras. Algumas são surpreendentes pela familiaridade, o que parece contraditório, mas alertam para uma realidade atual, em que vivemos, mas muitos não veem.
Há um problema da educação e do ensino no que respeita às formas estruturais, que não “interessam” economicamente aos indivíduos, nem às empresas, nem aos investidores, nem aos consumidores em geral, porque são mais caros, porque exigem tempo, leitura, abstração, maturidade, professores altamente qualificados, instituições estáveis, continuidade intergeracional, mais difíceis, porque exigem pensamento crítico, conceptualização, metacognição, capacidade de operar com formas, não com conteúdos, e menos procurados, porque não dão retorno imediato, não garantem emprego rápido, não respondem a necessidades conjunturais, não são valorizados pelo mercado, não são facilmente quantificáveis.
Assim sendo, o mercado nunca financiará saberes estruturais, que não têm retorno rápido, utilidade imediata, aplicabilidade, produtividade, eficiência, competitividade.
Os saberes estruturais, segundo a minha teoria, operam lucidez, compreensão, sentido, responsabilidade, orientação coletiva. Mas o mercado pergunta “quanto é que isso vale agora? Isso, entenda-se, é filosofia, história, teoria política, teoria do direito, epistemologia, estética, ética, linguística estrutural,teoria narrativa.
A educação estrutural, em resposta, pergunta “quanto é que isso vale para a humanidade?”
Mas o mercado não pode financiar o que não dão lucro imediato, não produz bens, não resolve problemas conjunturais, não é vendável, não é escalável. Ou seja, o mercado nunca financiará saberes estruturais, porque não são mercadorias.
Então, há uma conclusão a tirar e é que a sociedade tem de financiar saberes estruturais.

Como é que a minha teoria justifica isso?

Os saberes estruturais não servem os interesses imediatos do indivíduo, nem do empresário, nem da empresa, nem do investidor, nem do consumidor em geral.
Mas, porque servem a sociedade e a humanidade, numa perspetiva estrutural, não podem ser deixados ao mercado, não podem depender da procura, não podem ser avaliados por retorno imediato, não podem ser privatizados, nem podem ser reduzidos a competências instrumentais. São bens públicos vitais como o ar, a água, a justiça, a linguagem, a memória, a narrativa, a democracia.

Não podem ser privatizados.

São condições de possibilidade da sociedade, sem as quais não há democracia, não há direito, não há ciência, não há cultura, não há identidade, não há responsabilidade, não há orientação coletiva.
A sociedade tem de financiar o que o mercado não pode financiar, porque o mercado financia necessidades imediatas, mas não financia necessidades estruturais, como é o caso da Educação estrutural.
E a Educação estrutural é demasiado importante para ser deixada ao mercado.

                  Carlos Ricardo Soares

sexta-feira, 29 de maio de 2026

O Valor da língua

A língua é usada intensivamente como instrumento e ferramenta, como forma de integração e de pertença que se traduz na troca de palavras como se o jogo social fosse também essa vontade e esse gozo de fazer parte da narrativa de todos e de ninguém. Por sua vez, a língua como recurso e instrumento de leitura focada e complexa, levanta problemas consideráveis quando, pela exigência, pela duração prolongada, pelo isolamento que envolve, mesmo quando é validado e reforçado positivamente pela mentalidade e pela cultura em que se vive, faz soar o alarme do solipsismo, da solidão que, numa economia de funcionalidade e de produtividade avaliada em unidades monetárias por cada hora que passa, até ao próprio, se pode agigantar como um luxo, ou um vício, que não pode ter impunemente.
Não há como ignorar a tensão entre estes dois regimes, como a cultura contemporânea favorece a língua funcional, gregária, ritual e penaliza a língua criativa, exigente, solitária. A cultura contemporânea desconfia da interioridade. A verdade é essa.
O leitor profundo, o pensador solitário, o criador de mundos interiores é visto como improdutivo, excêntrico, desligado, “metido consigo”, potencialmente inútil, enfim, como alguém que “não participa”.
Cada vez são mais os que fazem o diagnóstico desta patologia cultural. Vai-se tornando cada vez mais evidente a incapacidade de reconhecer valor naquilo que não é imediatamente social, útil ou mensurável em unidades monetárias.
A língua social é celebrada porque mantém o grupo unido. A língua profunda é suspeita porque retira o indivíduo do grupo. E numa cultura que mede tudo em produtividade, o pensamento torna‑se um luxo perigoso.
A forma como a sociedade contemporânea desvaloriza a interioridade, penaliza o silêncio, teme a profundidade e idolatra a participação vazia é um condicionamento muito difícil de contrariar para quem a prioridade é a sobrevivência, ou, de qualquer modo, ir a jogo para ganhar, nem que seja a feijões.

                    Carlos Ricardo Soares 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Guia para pensar o Poder de todos e o Poder de cada um


A democracia, mais do que um regime político, é uma forma de pensar e de exercer o poder. Pensar democraticamente significa reconhecer que nenhum indivíduo, grupo ou instituição tem o exclusivo da verdade, que ninguém deve governar sozinho e que o poder só é legítimo quando se limita a si próprio em representação da vontade de maiorias. A democracia é, antes de tudo, uma ética dos limites. O poder de todos e o poder de cada um coexistem porque nenhum deles pode absorver o outro.
As culturas autoritárias partem da premissa contrária. Para elas, a realidade deve ajustar-se à vontade, e não a vontade à realidade. A verdade torna-se maleável, a ordem é apresentada como produto da força, e a autoridade é tanto mais legítima quanto mais se impõe. A democracia, pelo contrário, parte da resistência do real, factual, verificável, comum, e exige que o poder se submeta a essa resistência. A verdade não se vota, apenas se decide o que fazer com ela.
Uma das derivas mais inquietantes do nosso tempo é a tendência para confundir democracia com voluntarismo. A ideia de que, factos, ciência, história ou princípios, são aquilo que a maioria quiser e podem ser moldados pela opinião ou pela maioria, é uma confusão que abre espaço a negacionismos, revisionismos e manipulações que transformam a vontade em critério de verdade. Quando a verdade se torna uma escolha, a política transforma-se numa disputa de desejos, não numa deliberação sobre a realidade. E quando a realidade é tratada como opinião, a democracia perde o seu fundamento.
A retórica da força agrava esta erosão. Em vários contextos, quem exerce poder fala como se estivesse na oposição, dramatizando a desordem, descredibilizando instituições e apresentando a autoridade como única solução. Esta estratégia desloca a legitimidade do plano institucional para o plano da vontade. A política fica, assim, reduzida a um antagonismo entre quem manda e quem é mandado.
Mas a democracia não é o regime onde uns mandam e outros obedecem, é o regime onde todos limitam todos. E nem todos aceitam que assim seja, por variadas razões, desde logo, porque há quem não aceite limites à liberdade, mormente, se esses limites provierem de pessoas, ou entidades, que eles desvalorizam ou desprezam, por não lhes reconhecerem o direito que lhes foi outorgado pelos sistema jurídico-político, de “mandar” neles.
O Estado, numa cultura democrática, não é propriedade de ninguém. Não pertence a um partido, a uma facção, a uma entidade ou a uma vontade. É um espaço comum, composto por instituições que existem para impedir que qualquer poder se torne arbitrário e absoluto. Quando alguém afirma representar sozinho o povo, ter o exclusivo da verdade, ou garantir sozinho a ordem, aproxima-se de uma lógica autocrática, mesmo que o faça por via de mecanismos democráticos. A captura simbólica do Estado começa sempre pela exclusão dos outros da deliberação.
A forma como as pessoas imaginam o poder político não nasce apenas da teoria, nasce também da experiência quotidiana da autoridade. Os estilos de liderança, democrática, liberal ou autoritária, moldam mentalidades que depois se projetam na esfera pública. A liderança democrática, que ausculta, integra e partilha responsabilidade, forma cidadãos que valorizam a deliberação, a pluralidade e a corresponsabilidade. A liderança liberal, que delega autonomia e exige responsabilidade, forma cidadãos que desejam liberdade, mas não abandono, e que valorizam competência e limites claros. A liderança autoritária, que centraliza decisões e reduz a participação, forma cidadãos habituados a obedecer, a evitar risco e a preferir que outros decidam por eles. A cultura organizacional transforma-se, assim, em cultura política.
Responder à retórica da força não significa imitá-la. A democracia não se defende com mais gritos, mais dramatização ou mais antagonismo. Defende-se restaurando o terreno da legitimidade institucional, exigindo transparência, responsabilidade, fundamentação e respeito pelos limites. As oposições não devem replicar a lógica do “quero, posso e mando”; devem expor a impotência da arbitrariedade, quando confrontada com regras, escrutínio e realidade. A força simbólica da democracia está profundamente ligada à recusa de transformar a política num duelo de vontades.
A democracia exige três responsabilidades fundamentais: a factual, a institucional e a moral. Responsabilidade factual é reconhecer a realidade como ela é, e não como se deseja que seja. Responsabilidade institucional é aceitar que o poder só é legítimo quando se submete a limites. Responsabilidade moral é assumir as consequências das escolhas, sem atirar automaticamente a culpa para a maioria, para o líder ou para o sistema.
Culturas autoritárias rejeitam estas três responsabilidades, mas as culturas democráticas vivem delas.
A liberdade conquistada pode ser celebrada, mas a liberdade por cumprir exige vigilância, crítica, coragem e pluralidade. A democracia não é um estado alcançado, mas um trabalho permanente. Pensar o poder de todos e o poder de cada um é compreender que a autoridade democrática não nasce da força, mas da limitação da força; não nasce da unanimidade, mas da pluralidade; não nasce da vontade, mas da responsabilidade. É este equilíbrio frágil, exigente, mas fecundo, que distingue uma cultura democrática de uma cultura de “quero, posso e mando”.

          Carlos Ricardo Soares


sábado, 25 de abril de 2026

Viva a LIBERDADE!


VIVA a LIBERDADE !



Sem esquecer 

A LIBERDADE 
que ainda falta conquistar e cumprir.

Carlos Ricardo Soares