sexta-feira, 25 de março de 2011

Rotina


Já era tarde quando cedi 
E joguei
Ao faz de conta da vida
Que conta
Como conta um jogo
Um torneio

Um campeonato
Mas os jogos aprendem-se 

A jogar
E quem joga melhor
Tem mais hipóteses
De ganhar
Jogar para perder
Não pode durar muito
E quem muito perde
Fica mais indefeso para
Deixar-se enganar.



segunda-feira, 21 de março de 2011

As coisas não têm de ser como são



A primeira vez que pus música
Onde só havia silêncio
Foi como a primeira vez que
Numa rua sem vivalma
Pus personagens a circular
Para me convencer
De que as coisas não têm de ser
Como são
Mas como nós queremos
Onde havia uma casa fechada
Abri uma confeitaria
E onde havia nada
A entrada
À poesia
A uma mulher que ia
À sua vida
Com duas tempestades
E a mesma escuridão
Nos olhos
Vi relâmpagos divinos
Na noite
De amor
Num deserto
Que nos escutava.


terça-feira, 15 de março de 2011

Na rua do ocaso



Na rua do ocaso é proibido fazer
Marcha atrás
É obrigatório subir ao pináculo
E alcançar o horizonte
Que jaz
Em lutuoso habitáculo
Contornar a ideia de paz
Que a existir poderia ter sido ali
A muralha de melancolias aos pés
Todos os olhos para evitar tropeções
A derrocada vertiginosa do que és
Mas há uma saída
Airosa
À esquina da Travessa
Da memória engrandecida
Pela tua promessa.


terça-feira, 8 de março de 2011

Não me digas que não


Não me digas que não
Que é cedo ou tarde
Não me fales por enigmas
Embora eu não me canse

Não me digas que não
Que eu não mereço
Ou então não digas nada
E dá-me o que te peço

Podes crer que sou
O único sobrevivente

Não
Eu não sou um desertor
Das refregas de amor
Das mil e uma noites

Se nos virem abraçados
Não te lembres de morrer
E se nos virem deitados
Não te lembres de dizer

Ajudem-nos a levantar
Porque estão caídos.