domingo, 6 de novembro de 2011

É de mim


Falo daquelas ruínas
E é de mim
Do que os nossos olhos não viram
Daquelas matérias-primas
A propósito da construção
Do mundo
Do que restou
Dos perigos
Que é muito
Que é imenso
Mas não basta
Quando falo dessas coisas
De factos e mais
De ausências cruciais
Inexistências
Como se falasse de aparências
Sem alegria
Como se a poesia fosse o que falta
À fantasia
Como se a fantasia fosse um estaleiro
De sucata
Que avistamos da janela
Da prisão perpétua.

1 comentário:

Tere Tavares disse...

Poema de ímpar beleza, Carlos.
Abraço