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domingo, 4 de outubro de 2009

Se houver adeus

Se houver adeus
Afastar-me-ei do que sou
E deixar-me-ei mergulhado
No silêncio predestinado
Não como nu vou e volto
Do mar
Mas morto
Que tem na memória
Uma vida
Cheia de vozes
Se não
Afastar-me-ei a pensar na ignorância
Nos horizontes sufocantes
Das catedrais que vão ruindo
Com uma lágrima insensível
Com a semente de um rio
Deixarei o que amava
Sem direcção

Até a brisa mais suave
Se não me ignorar
Me sentenciará de penas eternas
Se não
A minha existência
Não passou de uma ilusão.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Da tua pele que se aflige

Com lábios devassos e impuros
Afloro as camuflagens sensíveis
Da tua pele que se aflige
Abro com os dedos
As folhas do teu livro casto
Como uma tempestade impiedosa
Para o fruto bamboleante.

domingo, 27 de setembro de 2009

De como se mata e como se morre

Um lago um mar um oceano
A verdade
Não sei
Um céu talvez
Uma fundura por explorar
No mastro alto do dia
Um corvo pousado
Uma bandeira negra
Que à noite se oculta
Na casca de noz sem horizonte

Os meus olhos triunfam com a visão
Das grandiosas cidades
Mas a memória das florestas devastadas
É a história de como matam os homens
E como morrem
E uma lição de como se mata
Que não nos ensina a morrer

O nosso país tão grande
Que não cabe em Portugal
Os nossos automóveis
As nossas casas e
Os nossos computadores
Todas as lojas com tudo
E as músicas omnipresentes
Não são suficientes
Para nos salvar

O linguajar excelente
Que sai dos abismos do coração
É como aquela bandeira ao vento
Plantada na areia
Pelo porta estandarte
Que tombou

Se a alma tem fome
Nunca se sacia dos dias
Que voltam sempre
Sobre as carnificinas
No seu altivo triunfo

Terra e mar são poderosos aliados
Dos homens na escuridão
Que escutam no vento
Gemidos dos vingados

Se tropeçares n’alguma certeza
Por andares perdido na cidade
Pensa como é inquietante
Ver um exército que dorme.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Enquanto a morte não chega


O vento lá fora
Numa dança de folhas sem fim
Embalo do tempo
Demora
Futuro presente em mim

Crianças jogam à bola
Na relva seca pelo verão
Que deixa em volta da escola
A forma de um coração

Paisagem para uma alma
Que o corpo não libertou
A dor é vindima calma
Do sol que já declinou

Como é belo dar a face
Oh vida como nos demos.

domingo, 20 de setembro de 2009

Como é belo o teu dizer

Como é belo saber ver
Do lugar onde cheguei
Do luar que acreditei
Do deitar tudo a perder
Do não sei pra onde vou
Como é belo compreender
Que o tempo nunca parou
Nas rosas que vi nascer
No vaso do nosso amor
Como é belo saber ver
Que a vida lança raízes
No solo estéril da dor
Como é belo ouvir dizer
As palavras que me dizes.