Estou a concluir uma teoria que enfrenta, entre outras coisas, o problema da Educação como um problema de ordem pública estadual e um problema da humanidade.
As perguntas e as respostas que encontro são muito fecundas e esclarecedoras. Algumas são surpreendentes pela familiaridade, o que parece contraditório, mas alertam para uma realidade atual, em que vivemos,
mas muitos não veem.
Há um problema da educação e do ensino no que respeita às formas estruturais, que não “interessam” economicamente aos indivíduos,
nem às empresas, nem aos investidores, nem aos consumidores em geral, porque são mais caros, porque exigem tempo, leitura, abstração, maturidade, professores altamente qualificados,
instituições estáveis, continuidade intergeracional, mais difíceis, porque exigem pensamento crítico, conceptualização, metacognição, capacidade de operar com formas, não com conteúdos, e menos procurados, porque não dão retorno imediato, não garantem emprego rápido, não respondem a necessidades conjunturais,
não são valorizados pelo mercado, não são facilmente quantificáveis.
Assim sendo, o mercado nunca financiará saberes estruturais, que não têm retorno rápido, utilidade imediata, aplicabilidade, produtividade, eficiência, competitividade.
Os saberes estruturais, segundo a minha teoria, operam lucidez, compreensão, sentido, responsabilidade, orientação coletiva. Mas o mercado pergunta “quanto é que isso vale agora? Isso, entenda-se, é filosofia, história, teoria política, teoria do direito, epistemologia, estética, ética, linguística estrutural,teoria
narrativa.
A educação estrutural, em resposta, pergunta “quanto é que isso vale para a humanidade?”
Mas o mercado não pode financiar o que não dão lucro imediato, não produz bens, não resolve problemas conjunturais, não é vendável,
não é escalável. Ou seja, o mercado nunca financiará saberes estruturais, porque não são mercadorias.
Então, há uma conclusão a tirar e é que a sociedade tem de financiar saberes estruturais.
Como é que a minha teoria justifica isso?
Os saberes estruturais não servem os interesses imediatos do indivíduo, nem do empresário, nem da empresa, nem do investidor, nem do consumidor em geral.
Mas, porque servem a sociedade e a humanidade, numa perspetiva estrutural, não podem ser deixados ao mercado, não podem depender da procura, não podem ser avaliados
por retorno imediato, não podem ser privatizados, nem podem ser reduzidos a competências instrumentais. São bens públicos vitais como o ar, a água, a justiça, a linguagem, a memória,
a narrativa, a democracia.
Não podem ser privatizados.
São condições de possibilidade da sociedade, sem as quais não há democracia, não há direito, não há ciência,
não há cultura, não há identidade, não há responsabilidade, não há orientação coletiva.
A sociedade tem de financiar o que o mercado não pode financiar, porque o mercado financia necessidades imediatas, mas não financia necessidades estruturais, como é
o caso da Educação estrutural.
E a Educação estrutural é demasiado importante para ser deixada ao mercado.
Carlos Ricardo Soares
Sem comentários:
Enviar um comentário