domingo, 27 de setembro de 2009

De como se mata e como se morre

Um lago um mar um oceano
A verdade
Não sei
Um céu talvez
Uma fundura por explorar
No mastro alto do dia
Um corvo pousado
Uma bandeira negra
Que à noite se oculta
Na casca de noz sem horizonte

Os meus olhos triunfam com a visão
Das grandiosas cidades
Mas a memória das florestas devastadas
É a história de como matam os homens
E como morrem
E uma lição de como se mata
Que não nos ensina a morrer

O nosso país tão grande
Que não cabe em Portugal
Os nossos automóveis
As nossas casas e
Os nossos computadores
Todas as lojas com tudo
E as músicas omnipresentes
Não são suficientes
Para nos salvar

O linguajar excelente
Que sai dos abismos do coração
É como aquela bandeira ao vento
Plantada na areia
Pelo porta estandarte
Que tombou

Se a alma tem fome
Nunca se sacia dos dias
Que voltam sempre
Sobre as carnificinas
No seu altivo triunfo

Terra e mar são poderosos aliados
Dos homens na escuridão
Que escutam no vento
Gemidos dos vingados

Se tropeçares n’alguma certeza
Por andares perdido na cidade
Pensa como é inquietante
Ver um exército que dorme.

4 comentários:

Luísa N. disse...

Inquietante e belo é seu poema, amigo!

Vanda Paz disse...

Bom, muito bom

Beijinho

Paulo-Roberto Andel disse...

muitíssimo bom, poeta!

bravo!

Tere Tavares disse...

E da inquietude é o alento de que ainda há olhos e mais ideais para compor, sobre o mar, sob o sol, a alma reluz, insurgente e, por que não, feliz?
Como sempre amigo Carlos, a tua poesia se cumpre.
Beijos