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sábado, 19 de janeiro de 2013

Sinto que fui longe de mais



É no regresso
às origens
à terra mitológica
da infância
que eu sinto
que fui longe
de mais
na distância
e é por isso
que não consigo
regressar
aonde eu penso
que ficou
a ânsia de voltar
quando decidi
deixar para trás
quanto possuía
e parti
para o desconhecido
com a alma
cuja solidão
desconhecia.


domingo, 6 de janeiro de 2013

Ao luar


Ao luar
tudo é sonho
e tudo é verdade
triste
de uma saudade
que ninguém disse
o rio é sonho
o barco é de ouro
triste
a cidade em que me despedi
já não existe.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Canção do que cansa


A dança
quem não dança
esperança
cansa 
razão
mais do que não
amar
cansa
descansar
viver 
contar 
dinheiro
comer beber dormir fugir sofrer
ganhar 
perder
cansa
não pensar

mas pensar
cansa.


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O tribunal


O tribunal ruiu
o hospital pediu 
socorros
ninguém acudiu
o mecânico de automóveis
quis telefonar
não conseguiu
o restaurante 
não abriu
a  mercearia
o banco
as ruas estavam inundadas
as lojas submersas
os candidatos à presidência
passaram
de gôndola veneziana
com espírito de sobrevivência
tanta gente a sofrer de amor
e de falta de amor
vidas e famílias desfeitas
a penar
milhares de poetas
nas nuvens  
na lua
ao luar
neste momento
a noite progride
a grande velocidade
o cansaço não se compadece.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Vi ouvi ora viu ouviu


O privilégio que deve a Deus
recordar o bom que viveu e imaginou
enquanto desce ao poço do inferno
da restrita visão
da lanterna que treme
luz
na escuridão
é privilégio
e dom
ouvir um rio que não
se vê
e muito bem conheço
sentir um frio
que eu próprio arrefeço
pensar que não mudei
o mundo
para melhor
do que mereço
se fez de mim o que sou
não me conheço.


domingo, 2 de dezembro de 2012

Mas por que triste razão


Por que triste razão
Estais feliz
E eu não?

A minha música
Cessou
E eu

Sinto dó
Por não ser
Feliz

Mas por que triste razão
Não me sinto feliz
E vós não?

Não sentis
Triste razão
Volúpias fantasmais?

Não sentis
Pois não?


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

É nu poema

É no poema
nu poema que
a bússola
do que dá
a arte
ao desconhecido
acontece
nada
(nada) se deve
que seja cumprido
e (o que) se cumpre
se não for devido
música
se perde do que é
no ruído
nu roído.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Praça


Vejo florescer as árvores 

 na praça etérea 
 de um chafariz mortiço 
 da memória 
 se houvesse um centro 
 na minha noite 
 essa noite 
seria a minha história 
 e o centro seria a tua 
 penumbra da lua 
 que ao nascer 
do dia 
 amua 
 e deslumbra 
 sem solução de continuidade 
 da solidão 
 do princípio ao fim 
 do tempo 
ainda que eu nada faça (espero) 
 os universos movem (se) 
 por mim.