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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Dá-se o caso


Pequeno almoço com janelas
Para um quadro 
Com milhares de anos

É assim que pensas
É assim que dizes
O momento

A mulher ao lado
Está doente
E o homem ao fundo
Está a escrever no guardanapo
Para o outro mundo

Já se faz tarde
E temos pela frente
Um dia para visitar museus
Dormimos pouco
Mas estou contente

Tu fazes-me sentir vivo
Num mundo de memórias
De imensas coisas mortas
Fazes-me sonhar
E não devia ficar triste… 


Carlos Ricardo Soares 

domingo, 1 de junho de 2014

Como é belo o teu dizer


Como é belo saber ver
Do lugar onde cheguei
Do luar que acreditei
Do deitar tudo a perder
Do não sei pra onde vou
Como é belo compreender
Que o tempo nunca parou
Nas rosas que vi nascer
No vaso do nosso amor
Como é belo saber ver
Que a vida lança raízes 
No solo estéril da dor
Como é belo ouvir dizer 
As palavras que me dizes.


sábado, 24 de maio de 2014

Escrever poemas


Escrever poemas 
enquanto 
morres
é um acto triste 

sobre o que será
a minha vida
escrever poemas 

enquanto 
vives
é um acto de libertinagem 

despedida
enfim
escrever poemas
não tem saída.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Colocar o tempo numa moldura


Deixo passar o tempo e digo-o
Como se tivesse o poder
De o deixar em herança 
De o fazer parar numa moldura
Como foto de dança
De vénus infame
Nos meus desertos 
Em tons de ferrugem 
De vitral de uma ala 
Dos arquivos de uma catedral 
No fundo do mar
Na paz pesada
Que ensurdece
Após S.O.S.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Não há tempo a perder


Nem tudo o que dissemos
Se desvaneceu
Memórias de nós
Que ninguém escreveu
Encantam a noite
Da flor que te ofereço
Quando ainda há tudo
Para dizer
Não há tempo
A perder.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Achar-te bonita


Achar-te bonita é tudo o que importa
Mesmo que ache feio 
Tudo à volta
Mais do que receio
Nada tem de louco
Mas enlouqueço
Por achar tanto
E tudo ser tão pouco
A poesia
A vida 
A pena do que perdi
E este desejo de ti.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Sinto-me feliz


Sinto-me feliz 
Por não encontrar 
Palavras
Desnecessárias
Socorro 

Para as vulgares certezas
Por acreditar 
Que é belo o dia
Que c
omo fruto imperecível
Colho
De tempos que excedem 

Todas as fronteiras
De que há 

Memória
Feliz 

Porque 
Tenho ódios e amores
Abomino 

Piratas
E todos os terroristas


No auge da batalha sinto-me 

Feliz
Mesmo temendo perder 

A vida
Admiro os magnânimos.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Canção do acaso


Depois de partir
Por que é que fiquei
Por acaso não sei (bis)

Depois de falar
Por que é que calei
Por acaso não sei (bis)

Depois de sorrir
Por que é que chorei
Por acaso não sei (bis)

Depois de te amar
Por que é que odiei
Por acaso não sei (bis)

Depois de esquecer
Por que é que lembrei
Por acaso não sei (bis)

Depois de morrer
Por que ressuscitei
Por acaso não sei (bis)

Depois de sonhar
Por que é que acordei
Por acaso não sei (bis)

Depois de vencer
Por que é que falhei
Por acaso não sei (bis)

Depois de estar
Por que me ausentei
Por acaso não sei (bis)

Depois de escrever
Por que é que rasguei
Por acaso não sei (bis)

Depois de me abrir
Por que me fechei
Por acaso não sei (bis)

Depois de receber
Por que é que não dei
Por acaso não sei (bis)

Depois de saber
Por que é que errei
Por acaso não sei (bis)

Depois de lembrar
Por que é que ignorei
Por acaso não sei (bis)

Depois de cantar
Por que desanimei
Por acaso não sei (bis)

Depois de pensar
Por que é que cansei
Por acaso não sei (bis)

Depois de correr
Por que é que parei
Por acaso não sei (bis)

Depois de esperar
Não foi por acaso
Que te encontrei.