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terça-feira, 15 de abril de 2014

Livro-me de ser julgado


A minha ideia avança
Meu medo
Não é nenhum
A minha praia
Sou uma criança
Um por todos
E todos por um
Palavras
Faço com elas
O que me aprouver
Mas livro-me
De ser julgado
Pelo que disser.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Povoado de sombras

Está sol
E
Num grande largo povoado
De sombras
Um pregador sob uma árvore
Adverte em nome do bem
Como um sol que faz
Desaparecer sombras
No canto de lá
Um propagandista reclama
Liberdade
Como um sol que faz
Sombras.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Adega TóNel


No ponto mais setentrional das névoas perpétuas
No informe aglomerado de construções à chuva
Uma placa diz cidade e começam as galerias
De uma tarde na adega tonel
Que vai desembocar nesta folha de papel
E deparar sem saída com a porca
Das sete mamas de um cardápio virtual
Suspenso dos chifres de um bicho
De sete cabeças em espiral
Drapejando ruidosamente.

sábado, 5 de abril de 2014

E-lá-se-foi

Um pássaro lindo
Voou ao contrário
Sugado por uma lembrança
De caminho andado
Mão dada
Numa eterna dança
Entre invernos sem ilusões
Um gato à chuva
Lá se foi 
Platão
Eva
E Adão
Num jardim 
Que não conheceis
De rosas em vasos imaginados 
Mas que estão mortas
Há muito
No chão
Para onde cospe
O vilão
E dejecta
O fanfarrão.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Não vá a cerveja acabar


Se não precisas do sentido das proporções
Para fruir
Para fazer arte precisas de algo mais
Do que cuspir
Cores e pensamentos 
Ou notas musicais
Música pintura ideias e poemas
São algo mais
Que uma desordem
Ou uma ordem que te é imposta
Mesmo se forem o caos 
Que não te obedece
Amálgamas são atrocidades
Cometidas contra a fragilidade
Do que arrebita
Sobre a estrumeira informe
Anunciando ao optimismo
A esperança
Enquanto o pessimismo
Dorme
Se souberes cantar
Canta
Não vá o mundo acabar.