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sábado, 16 de abril de 2011

Sonhei



Sonhei com jardins proibídos
E o perfume do paraíso

Eras tu

Sonhei que a vida era bela
E  eternas as fontes dos sentidos
A cantarem
Nos nossos lábios
De sede
Se beijarem
Sábios
Se calarem

Que éramos mais
Que um episódio da vida
Das personagens
De nós
Mais que o eco
A voz.

Carlos Ricardo Soares 

sexta-feira, 25 de março de 2011

Rotina


Já era tarde quando cedi 
E joguei
Ao faz de conta da vida
Que conta
Como conta um jogo
Um torneio

Um campeonato
Mas os jogos aprendem-se 

A jogar
E quem joga melhor
Tem mais hipóteses
De ganhar
Jogar para perder
Não pode durar muito
E quem muito perde
Fica mais indefeso para
Deixar-se enganar.



segunda-feira, 21 de março de 2011

As coisas não têm de ser como são



A primeira vez que pus música
Onde só havia silêncio
Foi como a primeira vez que
Numa rua sem vivalma
Pus personagens a circular
Para me convencer
De que as coisas não têm de ser
Como são
Mas como nós queremos
Onde havia uma casa fechada
Abri uma confeitaria
E onde havia nada
A entrada
À poesia
A uma mulher que ia
À sua vida
Com duas tempestades
E a mesma escuridão
Nos olhos
Vi relâmpagos divinos
Na noite
De amor
Num deserto
Que nos escutava.


terça-feira, 15 de março de 2011

Na rua do ocaso



Na rua do ocaso é proibido fazer
Marcha atrás
É obrigatório subir ao pináculo
E alcançar o horizonte
Que jaz
Em lutuoso habitáculo
Contornar a ideia de paz
Que a existir poderia ter sido ali
A muralha de melancolias aos pés
Todos os olhos para evitar tropeções
A derrocada vertiginosa do que és
Mas há uma saída
Airosa
À esquina da Travessa
Da memória engrandecida
Pela tua promessa.