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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Sinto-me feliz

Sinto-me feliz por não encontrar palavras
Desnecessárias
Por não haver socorro para as vulgares certezas
E por acreditar que é belo o dia
Que colho como fruto imperecível
De tempos que excedem todas as fronteiras
De que há memória
Sinto-me feliz porque tenho ódios e amores
Abomino todos os piratas
E todos os terroristas
No auge da batalha sinto-me feliz
Mesmo temendo perder a vida
Admiro os magnânimos.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Quando hoje me conheceste

Os meus infortúnios não cabem na minha mala de viagem
São grandes e pesados de mais para serem transportados
Só a alma tem a fatalidade de não os deixar para trás
Embora tantas vezes os mastigue e outras vomite
Isso não os degrada e só os torna o que são
Ainda mais

Não são grande coisa aliás não são coisa nenhuma
E se há verdadeiro problema é este
Quando hoje me conheceste
Ambos éramos sorrisos
Máscaras decentes de alegrias
Do que isso significa

Os meus infortúnios sempre me pareceram felizmente
Os infortúnios dos outros que temo que me aconteçam
Algo de uma tal gravidade e tão intolerável
Que a loucura se existisse seria isso
Verdadeiramente insuportável

Peço sentença aos juízes para poder dizer
Que as minhas alegrias não são diferentes
Que uns e outras não me são dados
Embora estas sejam concessões que eu finjo poder
Aqueles são grilhões que eu não mereço.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Hoje apetece-me ser vulgar

Hoje apetece-me ser vulgar
Oportunista esperto fanfarrão
Por capricho receber no dar
Hoje quero e vou ser multidão

Hoje vou desiludir-te
Chegou o momento de ser quem sou
Vulgar e não mais
Que o mais comum
Dos mortais

Hoje vou divagar
Sobre a moral da história
Há sempre a ironia à mão
De qualquer um
Para se arrogar glória
E condição
Que não tem.