terça-feira, 4 de agosto de 2009

Quando hoje me conheceste

Os meus infortúnios não cabem na minha mala de viagem
São grandes e pesados de mais para serem transportados
Só a alma tem a fatalidade de não os deixar para trás
Embora tantas vezes os mastigue e outras vomite
Isso não os degrada e só os torna o que são
Ainda mais

Não são grande coisa aliás não são coisa nenhuma
E se há verdadeiro problema é este
Quando hoje me conheceste
Ambos éramos sorrisos
Máscaras decentes de alegrias
Do que isso significa

Os meus infortúnios sempre me pareceram felizmente
Os infortúnios dos outros que temo que me aconteçam
Algo de uma tal gravidade e tão intolerável
Que a loucura se existisse seria isso
Verdadeiramente insuportável

Peço sentença aos juízes para poder dizer
Que as minhas alegrias não são diferentes
Que uns e outras não me são dados
Embora estas sejam concessões que eu finjo poder
Aqueles são grilhões que eu não mereço.

1 comentário:

Djabal disse...

Existe um grande escritor austríaco, Robert Musil, que escreveu uma bela história contando essa dependência ou interdependência satélite das emoções de uns nos outros. Você resumiu muitas belas páginas em proesia magnífica, que se lê ao sabor da corrente das palavras correndo no tempo. Abraços.