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sábado, 11 de junho de 2016

Parar não é morrer


 Não tombem pássaros
em voo cansado
nem muito ao de leve 
toquem
das ondas frescura
da miragem breve
do velame assombrado
da nau amargura
até passar
o mar
a liberdade
arrebatará 
os mensageiros 
da tarde.


domingo, 5 de junho de 2016

Maldito dever


Acabei por ter de fazer
o que nunca quis
deixar a estrada
o caminho que fiz
a fantasia da natureza
amada
com seus relógios
de sol e de lua
e de água
seus ritmos de frio
calor e chuva
e trovoada
seus perigos selvagens
encantos e miragens
em troca de nada
deixei tudo
que me fazia feliz
porque tinha de ser.
Maldito dever.


domingo, 29 de maio de 2016

Já há muito que não escrevo



Há muito que não escrevo
a folgar do longo tempo
em que escrevia 
para me inventar
na indomável imensidão
das palavras
iluminar a vista
com a visão
que argamassa 
átomos
em sóis sobre as muralhas
de cada dia.


sábado, 23 de abril de 2016

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Vício de errar


Errar quem quer
se todos buscam acerto?
quem quer seguir caminho contrário
para longe
se o que procura
é perto?
quem se anima por ter-se perdido
se queria outro objetivo?
se a experiência ensina
que o erro é caminho
andado
para o acerto
quanto mais viciante é
ao buscar pedra
encontrar ouro
do que ao buscar ouro
encontrar pedra?
então por que o erro está
não em encontrar ouro
mas pedra?



sábado, 9 de abril de 2016

Todas as palavras são inúteis


A atmosfera repousante é o estímulo
que arranca de ti todos os sonhos reprimidos
julgas que já viveste na esperança o suficiente
para saberes
que a vida está do lado de lá de uma cortina
invisível e impalpável
mas que quase se sente
que te separa dos sonhos
menos do que uma linha
imaginária
não mais do que uma sensação incerta
de que tão pouco ou nada mais bastaria
(quando se fala em magia
não há quem não entenda)
tens todas as recordações para seres feliz
para que aconteça a esperança
que nem sequer sabes dizer
porque a esperança não é coisa
que possa ser.