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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Vi ouvi ora viu ouviu


O privilégio que deve a Deus
recordar o bom que viveu e imaginou
enquanto desce ao poço do inferno
da restrita visão
da lanterna que treme
luz
na escuridão
é privilégio
e dom
ouvir um rio que não
se vê
e muito bem conheço
sentir um frio
que eu próprio arrefeço
pensar que não mudei
o mundo
para melhor
do que mereço
se fez de mim o que sou
não me conheço.


domingo, 2 de dezembro de 2012

Mas por que triste razão


Por que triste razão
Estais feliz
E eu não?

A minha música
Cessou
E eu

Sinto dó
Por não ser
Feliz

Mas por que triste razão
Não me sinto feliz
E vós não?

Não sentis
Triste razão
Volúpias fantasmais?

Não sentis
Pois não?


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

É nu poema

É no poema
nu poema que
a bússola
do que dá
a arte
ao desconhecido
acontece
nada
(nada) se deve
que seja cumprido
e (o que) se cumpre
se não for devido
música
se perde do que é
no ruído
nu roído.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Praça


Vejo florescer as árvores 

 na praça etérea 
 de um chafariz mortiço 
 da memória 
 se houvesse um centro 
 na minha noite 
 essa noite 
seria a minha história 
 e o centro seria a tua 
 penumbra da lua 
 que ao nascer 
do dia 
 amua 
 e deslumbra 
 sem solução de continuidade 
 da solidão 
 do princípio ao fim 
 do tempo 
ainda que eu nada faça (espero) 
 os universos movem (se) 
 por mim.