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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Enquanto namoras



Enquanto namoras
Eu vou a liderar uma prova de canoagem
Que ainda está no princípio
E ignoro os que aplaudem
Na marginal
Mais imponente
Vista de uma canoa
No meio de um rio
Largo
A cidade
Levada para longe
Pela corrente
Que agora me favorece
Só no fim
Se verá

Enquanto estavas em algum lado
Ou a pintar o cabelo
Ou a dançar
Eu ia com a minha tia doente
À urgência do hospital
Psiquiátrico

Liguei-te para dizer que a noite é longa
E tu acordaste de um sonho
Amanhã é que é o futuro
Mas o presente
Não é de toda a gente.


domingo, 16 de janeiro de 2011

Sentimentos


A velha catedral não tem culpa
De imponência calada
Padece tudo
Sem dor nem queixa
Nada
Lhe faz mossa
Nos degraus da entrada
Uma miúda triste
Descansa ou morta
Dorme ou morre
Tatuada
Sem que ninguém
Se interrogue
Sobre os segredos
Ou que sonhos
Guarda.

Bendigo-te

                                                                                                 
Em nossos cios
O abismo
Dos nossos rios
O sol
Dos dedos
O limiar
Perfeito
Um desejo
Sem leito.

                                                                                                                       

domingo, 9 de janeiro de 2011

Salvo erro

                                                                                                                                                                      Não
Não está tudo errado
Salvo erro
Só o homem erra
Não há erro no céu
Nem na terra
No mar
No cão que ferra
A dor
O princípio e o fim
A eternidade
Nenhum erro encerra
E o prazer
Também não
Nem a tristeza
Nem a alegria
Que erro pode haver na noite
E no dia
Na vida
E na morte?