sábado, 3 de outubro de 2015
Tanto tanto doer
Me dói esta voz
de tanto cantar
as mãos e os dedos
de tanto tocar
me dói a guitarra
de tanto agarrar
a vida me dói
de tanto morrer
me dói o silêncio
de tanto escutar
o tempo e a cabeça
de tanto pensar
me dói o sonho
de tanto acordar
tudo me dói
de tanto não ser
me dói o que é bom
de tanto esperar
me dói a promessa
de tanto fazer
me dói o gosto
de tanto provar
me dói o prazer
de tanto viver
me dói o dia
de tanto nascer
me dói os rios
de tanto mar
me dói o céu
de tanto olhar
me dói dizer
de tanto calar
me dói ser
de tanto amar
me dói querer
de tanto ser
me dói não ter
o prazer de te comer.
sábado, 29 de agosto de 2015
Palavras de amor
Escrevo
à viva força
que as
palavras não me obedecem
e sem
eu querer por vezes
florescem
bem
mais do que confio
que
frutos dessem
o poema
acaba
sempre por ser
o que
não quero
uma
verdade
mas
que não
me agrada
uma
palavra que
para
desespero
se
atravessa
e
quebra a toada
o poema
fica
sempre
fora de mim
a fazer-me
sentir
prisioneiro
da
própria liberdade
o
mundo não é
lugar
recomendável
para
quem sonha
há
inquietação até
na
alegria
como se
não houvesse
inocência
nem nos
sacrifícios
para
deixar de ser
atormentado
pelo
mundo demónio
e carne
quando
me abandonaram
senti
que estava finalmente
livre
mas não
supus
nem
imaginei
sequer
por um momento
que
estivesse só
com o
silêncio dos meus passos
numa
visão irreversível
do
mundo vazio
sem ti.
segunda-feira, 27 de julho de 2015
Estás a ouvir
Os nossos pensamentos
nada podem
nada são
as possíveis palavras
num deserto
sem bússola
beija-me
precisamos mais do
que palavras
para sairmos da
prisão
de palavras.
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