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sábado, 6 de novembro de 2010

Idade média

A idade e o tempo deitam-se na mesma água
E acordam longe de tudo o que faz o encanto
De dois rios que se atravessam
Seguindo em direcções diferentes
A caminho do mesmo espanto
Cada vez mais distantes
As idades iniciais
Médias
Finais
São tão diferentes disso
Que as acho iguais.


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Este morto



Os milénios os séculos as décadas
Os anos os meses os dias as horas
São tão dignos de atenção
Que não temos vida para compreender
O tempo que vivemos
Este morto
Já não vive
Já não lhe digo tu
Não deixes que te matem
O sol e o mar ao largo
Vemos
Deste cemitério
De uma das mais de cem
Cidades
Sempre nos perdemos
Como perde quem
É a ponte mas não sabe
Entre eras e idades
Este morto
Não fala
Fria fronte
Face desentendida
Já não lhe dizem tu
O destino
A nós se reserva.


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O silêncio debaixo da touca



À porta do palácio
Já todos foram
No amplo redor
Estremece
Não ter alma
Passado
O tumulto
A paz
Jorros de verão
De água
Eva e o paraíso.