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domingo, 17 de janeiro de 2010

Venenasas

Esta certeza é efémera como todos os brilhos
Como as chamas arrefecem nas órbitas
De monstros venenasas
Ruínas de castelos que já foram no ar
Sobranceiros a campos
Onde são matagais
Cemitérios onde adros já foram festivos
Esta tristeza desmemoriada do que foi alegria
Ao compasso de todas as músicas
De todas as marchas não reeditadas
E dos silêncios sobrevindos
De todos os sinos
De todos os tempos
Tratados de filosofia
À espera
De um cérebro que os pense
Até à próxima explosão do Universo
Que não precisa da ciência
Nem de contexto histórico
Como a minha morte
Para acontecer
Sou fútil e distraído
Como as estrelas brilham
Como um ébrio enquanto não adormece
Trato de banalidades
Porque já é aquilo que há-de vir a ser
Eu já nasci morto.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Vestida de sombras

Há sombras em que o carmim aos lábios
aflora e desnuda o sorriso dela
e me insinua aquele lanço de escada
a subir para os alfarrábios
sombras que a vestem
entre as pernas
de uma ideia
completamente iluminada
por fora
da roupa dela
e que brilha nos cabelos
em que esconde o milagre
dos seus olhos.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Poema de amor

Fugi das luzes dos espaços amplos
Escondi-me das vistas
De sacerdotes e juízes
E da curiosidade
Do constrangimento
Das lendas de amor
Para te olhar com a pobreza
Da minha solidão
E falar-te do prazer
Como se fosse a mentira
Do amor
Do que tarda mais
E não sabemos
Se haverá
Algo mais
Que o calor do corpo
Que temos para dar.