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terça-feira, 28 de julho de 2009

E se um dia

Há um caminho
O dia e a noite
E o infinito
Os meus pés
Pela paz
A diante
Um bando de aves
Planando
Sobre uma montanha
Nada quero
Mas quero ter-te
Em lapsos dementes
De imagem imaginada
Bandeira
Içada sobre escombros
Ao assobio do vento
Palmeira desterrada
Sonho de não ser
Na tarde sem sol
Náufraga viva
Espera
Fora do tempo
Sem margens
Nem pontes
Nem lugar
Templo às divindades de nós
À imagem ignorada
Do tempo sem voz
Amor que se sabe
De ouvir falar
Desejo ilimitado
De não desejar
Sem caminho de ir
Nem de regressar
Prisioneiro
Sem porta de entrada
Cuja saída procura
Sem descanso
Liberdade perdida
Em sonhos reconhecida

Corpo nos braços
Que não salvou
Espelho angular
Que não evitou.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Notas críticas I

Todas as perguntas que fazemos a nós próprios valem a pena. As que fazemos aos outros, não sei. Quando um arquitecto quis uma janela da casa, que custava mais que a casa toda, o dono da obra perguntou: qual é a utilidade disso? E o arquitecto respondeu: nenhuma. Eu penso nisso quando visito alguns monumentos, templos e quando observo cidades, ruas, fachadas... quando ouço música...quando assisto a fogos de artifício.

Mas, sem querer passar por pedante, por que não lembrar Homero quando ele inicia os seus poemas épicos com uma invocação à Musa?
Ou, séculos mais tarde, Platão, o primeiro filósofo da literatura?
Hesíodo, Sólon, Simónides, Píndaro e os retóricos e dramaturgos do séc.V, formularam observações críticas, por exemplo: que a poesia é uma coisa encantadora, que tem de ser aprendida como uma arte, que consiste numa escolha inteligente das palavras...

Durante muito tempo o encanto da minha infância consistiu na ilusão que eu tinha de que tudo nasceu depois de mim. Estranhei a História. Freud era capaz de "diagnosticar" complexo de Édipo.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Sinto-me triste

Estou triste
Sinto-me triste
Nas conclusões que tiro
Até das coisas mais lindas
Que tem a vida
Sinto-me triste
Por não sentir alegria
Só de pensar
Que as histórias
Não têm final feliz.