Saramago, ao usar a metáfora platónica do mito da caverna, para dizer que a humanidade, mesmo depois de ter acesso ao conhecimento, prefere muitas vezes a segurança
simbólica à liberdade cognitiva, está a fazer um diagnóstico cultural, não ontológico, a fazer retórica moral, usando uma imagem culturalmente poderosa para dramatizar uma sensação contemporânea, a de que
“as pessoas preferem a ignorância”.
O mito da caverna é, desde a origem, uma metáfora pedagógica, não uma descrição do real.
Mas Saramago formula-o como se houvesse uma “vontade coletiva” que decide regressar à caverna. E aqui começa o problema.
Não existe uma “humanidade”
que decide, um sujeito coletivo que escolhe a caverna. O que existe é formas simbólicas que se tornam dominantes, indivíduos que se deixam absorver por essas formas, estruturas de repetição
que substituem a reflexão.
A Teoria, que estou a desenvolver, vê isto de forma completamente diferente e desfaz o mito do "regresso à caverna". O que há é formas simbólicas que se tornam dominantes
quando a forma singular enfraquece.
O grupo não pensa, logo o grupo não regressa. O que regressa é a forma simbólica.