sexta-feira, 23 de março de 2012

O nojo



Encontrei um tipo a vomitar 
a própria sombra, 
no candeeiro da esquina 
da avenida do Ar com a rua do Mar, 
em frente à taberna jaguar
pensei
o que fazer quando as palavras enojam e tudo à volta delas?  
A maior mer.. é a mer.. impingida como se fosse outra coisa ou, 
pior ainda, 
como se não fosse mer.., ou, 
ainda mais, como se fosse coisa boa. 
Se estas palavras enojam, não há remédio. 
O remédio “não leias” é um veneno. 
Um bom remédio não é possível. 
Enquanto as palavras não te enojarem de morte, 
serás um grande ignorante. 
À medida que te fores enojando, 
serás um ignorante cada vez mais pequeno, 
até não seres nada 
reflecte 
lê 
fala. Escreve. 
Vale a pena. 
A pena.
Agora, 
entra o retórico em palco
e até o oxigénio imprescindível para respirar se torna asfixiante. 
Estado de coma. 
O oxigénio do retórico é o coma dos outros. 
Cuidado com a retórica. 
Perigo de morte. Afasta-te.
Cague com classe!
Que arte?!  C… com classe. 
Borrar com classe. 
Classe. Escrever…mer... 
Escrever com…mer... 
A mer.. é o menos, é o nada (que existe). 
Escrever é que é.

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