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sábado, 23 de abril de 2016

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Vício de errar


Errar quem quer
se todos buscam acerto?
quem quer seguir caminho contrário
para longe
se o que procura
é perto?
quem se anima por ter-se perdido
se queria outro objetivo?
se a experiência ensina
que o erro é caminho
andado
para o acerto
quanto mais viciante é
ao buscar pedra
encontrar ouro
do que ao buscar ouro
encontrar pedra?
então por que o erro está
não em encontrar ouro
mas pedra?



sábado, 9 de abril de 2016

Todas as palavras são inúteis


A atmosfera repousante é o estímulo
que arranca de ti todos os sonhos reprimidos
julgas que já viveste na esperança o suficiente
para saberes
que a vida está do lado de lá de uma cortina
invisível e impalpável
mas que quase se sente
que te separa dos sonhos
menos do que uma linha
imaginária
não mais do que uma sensação incerta
de que tão pouco ou nada mais bastaria
(quando se fala em magia
não há quem não entenda)
tens todas as recordações para seres feliz
para que aconteça a esperança
que nem sequer sabes dizer
porque a esperança não é coisa
que possa ser.


domingo, 20 de março de 2016

Não me ensines a chorar



Tenho um respeito profundo
por quem morre de desgosto
não me ensines a imaginar
como se sobrevive
a tanta tragédia
a solidão tem contornos inimagináveis
nessa parte do mundo
que fica oculta
cá dentro de nós
onde ninguém vê
já me senti perdido
mas a maior tragédia não sei qual é
embora suspeite que seja
a dos outros
dos que morrem
e dos que vivem sós.


sexta-feira, 4 de março de 2016

Ladrões da alegria


Declinam as horas
e o relógio insone  
às voltas
de olhos fechados 
sem horizontes
os ladrões da alegria 
já estão condenados
os sentidos
o dia
o que sinto
o que existe
a fantasia
o olhar 
de cada ausência 
do que parece
aguardar
surgir 
da sua clausura
como uma prece
com vontade
futura
o silêncio 
em que julgo ouvir
versos 
que não escrevo.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O rosto


De que          falamos 
quando 
                       falamos 
de              amor
de que ponto 
da nossa natureza
                  quando 
o amor fala
estamos 
suspensos de         
que bem
lembrados
de que alianças
e esperanças?



domingo, 3 de janeiro de 2016

O que importa e o que não



Dos olhos inundados
do momento
estremece
pensativa
a profundidade
do mar
na garganta
da vida
a afagar
a saudade.