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segunda-feira, 6 de maio de 2019

A direita não governa por interpostas esquerdas?


Há um continente, que não é velho, os continentes não são velhos, nem as pedras, nem a água, nem o céu, que os velhos, às vezes, preferem designar com outros nomes que acreditam serem mais expressivos, ou mais verdadeiros, vá-se lá saber o que pretendem dizer com as palavras, e há jovens que têm sérios problemas de ética, deles e dos outros, porque os outros não foram capazes de construir com ética, preferindo mercantilizar, assim, sem mais, como se o mercado, por si, fosse ético e há dois séculos e tal de industrialização e de capitalismo, cada qual a ver quem puxa mais pela outra, no empoderamento do dinheiro que, num ápice, arrasa florestas e envenena oceanos e cresce logo de seguida, exponencialmente, com truques e magias de reflorestação e de revitalização, agora em nome de biodiversidade e de ambiente saudável...
Há jovens que vão ter de combater a mentira de um modo mais verdadeiro que o antigo, não velho, modo de combater uma mentira com outra.
Há jovens que vão fazer a revolução necessária, quando a direita e extrema-direita, que já governam "às esquerdas" há muito tempo, deixarem de governar por interpostas "esquerdas" e passarem a dar "mais" a cara.

sábado, 27 de abril de 2019

A literatura é (não é) um facto como outro qualquer

A literatura é um facto que pode e deve ser estudado e explorado, para os fins que aprouverem a quem aprouver. Mas não é um facto como outro qualquer. É um acto. Mas não é um acto como outro qualquer. É um acto de verbalização, mais ou menos livre, mais ou menos constrangido, mais ou menos consciente, convencional e retórico, mais ou menos ritualizado e formal, que veicula qualquer tipo de pensamento, queixa, reclamação, sentimento, sensação, emoção, paixão, apelo, condenação, louvor, voto, advertência, revolta, promessa, engano, miséria, perdição...Ficcionadas ou não...

quarta-feira, 27 de março de 2019

História

Em rigor (se formos a ver bem), alguém que conhecesse a História conheceria tudo, porque tudo, na História, acontece, no espaço e no tempo.
Quem soubesse a história da química ou da literatura, ou da religião...seria um cientista tão exímio que nem existe, porque só em teoria é concebível.
A História é tudo, não esqueçamos.
E, sem História, não sabemos grande coisa, para não arriscar dizer coisa nenhuma.
Mas esta esmagadora grandeza da História é empolgante e vivificadora, porque permite os voos mais ousados, incríveis e triunfantes do pensamento e do sentimento que o pensamento provoca. As datas são, quase, a essência da História e o "mecanismo" que, quando menos esperamos, faz luz sobre um documento, uma inscrição, permitindo-nos conferir-lhe conexões imprevistas e reveladoras, como se estivéssemos num jogo de xadrez que se transfigura, ou, inopinadamente, uma chave abrisse a porta que nunca esperaríamos, pelo simples efeito do pensamento e da imaginação.
Diria que a História está para o pensamento e para a imaginação como o futuro está para a ignorância.