Blogs Portugal

domingo, 9 de dezembro de 2018

Ainda Esparta e Atenas


Só podemos culpar a revolução técnica e industrial, porque, assim, ninguém é responsável. Mas os políticos são os grandes responsáveis por todo o mal, ou quase, que existe no planeta. E, mesmo assim, continuamos a "adorar" os políticos, por mais indecorosos e medíocres que sejam. Tal e qual como acontecia/acontece nas religiões. O indivíduo não é nada. Mesmo depois da dita afirmação do individualismo. As corjas sim. Se não pertenceres a uma corja, és uma vítima certa e irredimível. Junta-te a uma corja e serás salvo. Nem que seja a corja dos traficantes de chifres de rinocerontes.
Os indivíduos têm a sua responsabilidade comportamental, muito bem definida e sancionada. Mas as estruturas e as organizações e os poderes, que cilindram tudo e renascem sempre sobre as cinzas e o betão, encontrarão modos de serem inocentadas, exequíveis e felizes na lua ou em marte.
E, quando a terra "amada", "te arrenego", for inabitável, talvez venha a ser contemplada por uma estúpida "inteligência matemática" da esperança matemática. Não precisamos de pessoas, mas de matemática e de finanças. As pessoas são uma variável dependente. A montanha de ouro, sim, é, será o refúgio e a esperança. Trabalhem para o ouro. Que cada um de vós seja transformado em ouro, no ouro do outro. Eis o poder e a vanglória em todo o seu esplendor.
Se perderes, envergonha-te e não te queixes. Se venceres, aproveita enquanto dura, e vangloria-te, e humilha, porque esse é o teu prémio e o teu momento.
Quem estiver curioso, revisite Esparta e Atenas. Sem embargo de os nossos políticos ignorarem completamente tudo.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

O mais revolucionário ateu

“Deus é o silêncio do universo, e o ser humano o grito que dá sentido a esse silêncio”. Ao ler esta frase, atribuída a José Saramago, diria que ele, a pensar assim, não era ateu. 
Ao criar Deus, o homem não pode crer que está a parir e não propriamente a criar, mas está a parir um "filho" do pensamento indomável, uma espécie de alma sem contornos, nem qualidades, que habita esse pensamento e que está tão presa a ele como ele está preso ao corpo.
E nesta génese de Deus o homem foi significando a religião, as religiões, com os mais variados objetivos, práticos e teóricos, tornando-as em caldos de superstições e de contradições e de sistemas políticos e normativos.
Jesus Cristo parece ter tido uma visão muito clara de que as religiões, incluindo a judaica, eram uma espécie de pseudociências de Deus. Quem soubesse a cassete do "jargão" religioso, sentia-se habilitado a falar disso como um sábio.
Infelizmente, Jesus Cristo não foi devidamente compreendido. Ele era o mais revolucionário ateu numa cultura de pseudociências de Deus. Ele foi o mais lúcido, contundente e demolidor adversário e inimigo dessa cultura.
Mas os próprios cristãos, o cristianismo, os poderes políticos, a igreja católica, trataram de o interpretar e de o integrar no velho sistema de pseudociências de Deus, como se ele fosse mais um, embora diferente e melhor.
E, mais grave do que isso, endeusaram Jesus Cristo. Ao endeusá-lo estavam a endeusar a própria Igreja, o que veio a revelar-se catastrófico, e a destruir, desvirtuando-a e deturpando-a, a grande mensagem de Jesus Cristo contra as religiões enquanto pseudociências de Deus.
O que poderia ter sido um imenso movimento de iluminismo antecipado e fulgurante, verdadeiramente libertador, acabou por ser absorvido em sistemas de mais pseudociências de Deus.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Humanidades

As humanidades e a ciência não estão separadas. Falar em humanidades não pode fazer esquecer as ciências do homem e as ciências da vida, nem a riqueza das línguas e literaturas, das artes, da música à pintura, passando pelos desportos, das filosofias, da antropologia, da psicologia, da demografia, da sociologia, da ciência política, do direito, da justiça, da história, da gastronomia e, porque não?, das religiões...
Falar em humanidades, sem mais, normalmente corresponde a apagar a luz do quarto para dormir. Mas as humanidades, tal com a esperança, serão a última coisa a morrer e as ciências humanas ainda agora iniciaram o seu percurso, a sonhar, de mão dada, ora pelas ciências da vida e da Terra, ora pela estatística, ora pela genética, pela psicologia... 
As humanidades são a expressão da humanidade, ela própria, no seu espectáculo ímpar e pluridimensional, por causa e apesar da ciência, com mais ou menos ciência, sempre do lado da ciência, mas antes e depois da ciência, porque o homem é anterior à ciência, e não apenas à ciência "stricto sensu", com hipóteses de lhe sobreviver, mas não de esta a ele.
As humanidades e as ciências do homem não criaram o homem nem o substituem em circunstância alguma. 
Ao homem deve ser sempre reconhecido o direito de dispor das humanidades e das ciências, mas nunca da humanidade. 
As humanidades não se dedicam apenas às pessoas, e que assim fosse! Mas isso é parte de um lugar comum, que já é tempo de desmontar. 
Todas as ciências, toda a cultura, o próprio Deus, são humanos, fazem parte das humanidades.