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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Partido da neutralidade


Pela neutralidade é tomar partido, tanto ou mais que ser contra ou a favor. É urgente que se reconheça o partido da neutralidade, com todos os respeitos e garantias que lhe são devidos. E não só a neutralidade, também a indiferença. Respeitemos. 
Não obriguem ninguém a tomar outro partido. 
O partido dos neutros e dos indiferentes é esse, o partido deles. 
Ou os outros são melhores? 
Não obriguem ninguém a nada mais que respeitar. 
A cultura da partidarização já foi longe de mais. 
Vamos iniciar um ciclo inédito de despartidarização de tudo e de alfabetização construtiva. 
O futebol da política está a ir, quando a política do futebol já está a voltar. 
A bandeiras despregadas!!!

Nota: eu não sou neutro, nem indiferente.

domingo, 28 de outubro de 2018

O povo

O povo tem um sentido prático que chega a ser espantoso.
O povo só aprecia tragédias na tela da televisão ou do cinema.
E é capaz de trocar tudo o que tem, incluindo a dignidade, por um pouco de paz e de misericórdia.
Para por um povo em armas é preciso que o fim do mundo já tenha acontecido nos arredores,
ou que, num arrebatamento de soberba, sem medo, acredite numa vitória expiatória. 

E, ainda assim, alguém tem que lhe dar as armas e a ordem para se defender, ou atacar.

Carlos Ricardo Soares



As coisas não têm de ser


As coisas não têm de ser 
nem têm de ser como são
nem são
entre a vida e a morte
não há
aventuranças
nem há entre a vida e a morte.