Sobre o vale nada ecoa uma distância os horizontes uma luz antiga como a espera um crepúsculo de recolher os gados derradeiros Camões é primavera está a chover uma chuva que a nós visita do que era eternidade que é agora sabemos que há mortos por todo o lado mais vivos do que a própria saudade e vivos sem liberdade mais mortos do que era de esperar neste tempo de venalidade atroz que rouba sonhos como quem rouba ouro que não derrete e o que pode acontecer é o que mais promete.
O privilégio que deve a Deus recordar o bom que viveu e imaginou enquanto desce ao poço do inferno da restrita visão da lanterna que treme luz na escuridão é privilégio e dom ouvir um rio que não se vê e muito bem conheço sentir um frio que eu próprio arrefeço pensar que não mudei o mundo para melhor do que mereço se fez de mim o que sou não me conheço.