quinta-feira, 1 de maio de 2014
A verdade
A verdade que podemos encontrar numa enciclopédia sobre a Verdade não está na enciclopédia,
nem nas bibliotecas e
não é a Verdade. Esta é a verdade.
É? E depois?
Continuamos a procurar a verdade,
mesmo falando verdade
e não a encontramos?
E se a verdade for desagradável? Dolorosa? Insuportável?
Queremos sempre a verdade?
E se a verdade é contra nós?
Que verdade, ou verdades, nos interessam?
Detestamos a mentira, mas há as meias verdades
e a verdade das partes
e a verdade do todo,
mas a verdade não está nas partes
e não está no todo.
A verdade, em última análise, é absoluta: ou é ou não é;
se é, é para todos e para todas as inteligências.
É ou devia ser?
Devia?
Porquê?
Um juiz disse-me que só o que está no processo é que está no mundo,
a verdade dele é aquela.
Um tipo que eu tenho por cientista diz-me que só o que é
verificável, mensurável, empiricamente, merece crédito.
Esta é a sua verdade.
Um poeta proclamou que «quanto mais poético mais verdadeiro».
A verdade do filósofo
com quem falei
é um veredicto,
são juízos sobre os próprios juízos,
sobre a contenda entre falso e verdadeiro
entre a ideia e a coisa,
embora saliente que ao filósofo interessa uma interpretação cósmica da sua experiência interior e
que essa interpretação, qualquer que ela seja, não é a verdade.
O meu pároco diz que Deus é a Verdade,
que as verdades do cientista e do juiz e do filósofo são juízos sobre coisas, factos, acontecimentos, acções e ideias.
A verdade não é conhecimento nem doutrinas teóricas que, como tais, se possam comunicar.
A alma tende para a contemplação da verdade,
para a pura contemplação,
sem pensar anotar o que contempla para disso se separar e representar isso sob uma forma «válida em geral» com a qual todos pudessem enriquecer o seu saber.
Cada pessoa permanece “fora” de interpretações e esquemas analíticos e nunca lhes está submetido; quando quer conhecer-se a si próprio, não é no homem em si, numa teoria da sua vida que se revê e o que lhe vem do íntimo não carece de explicação alguma.
terça-feira, 29 de abril de 2014
Escuto as dores do mar
É nessas dores que se banha a lua
Nem todas as janelas já estão fechadas
As dores do mar
O balançar das árvores ao alto
É nessas cores que a torda da alegria
Perde peso
E a alma de magreza voa
Do mar
A olímpica fantasia
Que atordoa
Quem poderá domar?
Nem todas as janelas já estão fechadas
As dores do mar
O balançar das árvores ao alto
É nessas cores que a torda da alegria
Perde peso
E a alma de magreza voa
Do mar
A olímpica fantasia
Que atordoa
Quem poderá domar?
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Quando se está debaixo
Quando se está
debaixo
das botifarras do bicho de sete cabeças
não há nenhuma porca de sete
mamas
que valha ao espezinhado
gente que está
por todo o lado
e luta até à morte
todos os dias
num confronto
forte
entre David e
Golias.
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