quarta-feira, 26 de março de 2014
Lema
Todo o poema
Não devia ser escrito de outra forma
Nenhum poema devia ser escrito
De forma diferente
E quem diz poema
Diz tudo o que é literatura
Nenhum poema está errado
Nenhum poema está certo
Certo ou errado
Não é coisa de poema
Nem de literatura
Nenhum poema está bem
Ou mal escrito
O poema é o que é
E não o que não é
Se alguém quiser escrever diferente
Pode
Mas isso é outra coisa
Se alguém comparar poemas
Pode
Mas para que serve comparar
Coisas diferentes
O valor de um texto literário
Não é tudo
Uma vez li um poema criativo
Mas não tinha mais nada
Outra vez
Li uma história originalíssima
Mas não tinha mais nada
Muitas vezes
Li textos cheios de erudição
E nenhuma literatura
Poemas com as filosofias
Todas excepto a minha
Mas não eram poesia…
sexta-feira, 21 de março de 2014
Nós hoje
Órfãos de alguma espécie de apostolado
Estamos cercados
De falas
Como é difícil ao espectro
ficar calado!
Como é difícil ao espectro
Dizeres que o calas!
Como é difícil ao dinheiro
Não o gastar
A um poluente
Não o usar
Não ter uma sombra
E monologar
A campo aberto
Merdar!
Como é difícil estar certo
Não querer
Moeda falsa
Para poder
Ofertar!
Trabalhar cansa
E não acaba
Se a vida não se vence
Para quê lutar?
Dai-me a luxúria
Sem corpo
Da ideia
Vazia
Ou o eco
Dos limites.
Estamos cercados
De falas
Como é difícil ao espectro
ficar calado!
Como é difícil ao espectro
Dizeres que o calas!
Como é difícil ao dinheiro
Não o gastar
A um poluente
Não o usar
Não ter uma sombra
E monologar
A campo aberto
Merdar!
Como é difícil estar certo
Não querer
Moeda falsa
Para poder
Ofertar!
Trabalhar cansa
E não acaba
Se a vida não se vence
Para quê lutar?
Dai-me a luxúria
Sem corpo
Da ideia
Vazia
Ou o eco
Dos limites.
Carlos Ricardo Soares
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