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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Arte, entre o que é e algo que talvez devesse ser

Todas as artes têm em comum a arte, seja como artefacto, seja como espectáculo, seja como experiência dos sentidos, audição, gosto, tato, visão, olfacto. Sem emoção a arte, o estético, a experiência estética, não acontece. 
A experiência de quem frui a arte, o artefacto, o produto artístico, o objecto de arte, a arte feita, é algo de uma dimensão diferente da experiência do artista enquanto criador, produtor, de arte. 
Poder-se-ia falar de uma arte de apreciar a arte, como uma atividade mais complexa do que a mera fruição do artefacto por contacto sensorial. A experiência estética do artista enquanto cria arte é algo de preliminar à experiência da fruição da obra, que ainda não existe. 
A intencionalidade da obra de arte é algo bem diferente da intencionalidade presente noutros tipos de atos mas, tal como a intencionalidade de outros atos pode ser o menos relevante, a intencionalidade da arte pode ser a componente menos artística e menos valorizada. 
De qualquer modo, parece-me que nas artes, estamos sempre entre aquilo que é e algo que talvez devesse ser numa perspetiva estética que não se acomoda completamente ao artefacto.

Carlos Ricardo Soares

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