Estava a disputar o último set quando vi entrar uma jovem numa cadeira de rodas empurrada por uma mulher bem vestida e calma, de farta cabeleira e uma touca branca. Enfermeira? -interroguei-me.
Parou de empurrar a cadeira e depois de trocarem algumas impressões entre elas, a mulher de touca branca rodou a cadeira de rodas para uma posição frontal relativamente à área do jogo. Agora já estava a reconhecer a mulher da touca branca. Era a mesma enfermeira, Cândida, que me tinha ajudado a recuperar de uma luxação gleno-umeral traumática.
Terminado o jogo, ao passar junto delas, apercebi-me que a enfermeira também me reconhecera:
-Bom dia! Como está?
-Tudo bem, obrigado!
Neste momento inclinei-me ligeiramente para a jovem na cadeira de rodas e cumprimentei-a. A enfermeira Cândida fez as apresentações da praxe «Dr. Veríssimo, ilustre advogado, eh,eh,eh!» «Drª Teresa, antropóloga, doutoranda».
Estendi a mão para dar um passou bem à Drª Teresa, mas ela nem se mexeu. Olhou-me com uns olhos brilhantes e afáveis.
-Não se preocupe, disse eu, eu compreendo, não tinha reparado.
-A Drª Teresa vai permitir que lhe fale neste assunto: está assim porque foi vítima de um crime grave.
-Como? –perguntei. A enfermeira Cândida olhou para obter aprovação da Drª Teresa para continuar.
- Quando ela estava a dormir, o marido atirou-a do terceiro andar para a rua.
Fiquei estarrecido. Olhei para Teresa, mas ela desviara o olhar para algum lugar estranho que a fez empalidecer e semicerrar os olhos de dor.
- Continua a praticar ténis? – prosseguiu a enfermeira, para desanuviar.
- Ah, sim! Agora menos. Só para manutenção.
Pousei a minha mão na de Teresa, que não esboçou nenhuma reacção.
- Tive muito gosto em conhecê-la. Lamento profundamente o sucedido. Gostava de ajudar, se puder!
- Depois entro em contacto com a enfermeira Cândida. Ainda tem o mesmo número?
- Sim, sim, é o mesmo. Tudo igual.
-Até logo.
-Até logo Dr., prazer em vê-lo.
-Obrigado, igualmente.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
sábado, 24 de outubro de 2009
Sei
Sei o imenso sol laranja
Seio que roça a minha face
Aos poentes fatais
Me engano eu
Que nada mais
Me engana
O brilho dos teus olhos doces
O fogo entre nós
Funde-nos como se fosses
A boca da minha voz
Sei os
Teus seios
Na paisagem desfocada
Das respostas difíceis
Às interrogações da luz
Mas não sei o peso
Das palavras que digo
Depois de ser salvo
Por esse silêncio
Desconhecido.
Seio que roça a minha face
Aos poentes fatais
Me engano eu
Que nada mais
Me engana
O brilho dos teus olhos doces
O fogo entre nós
Funde-nos como se fosses
A boca da minha voz
Sei os
Teus seios
Na paisagem desfocada
Das respostas difíceis
Às interrogações da luz
Mas não sei o peso
Das palavras que digo
Depois de ser salvo
Por esse silêncio
Desconhecido.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
O livro de todo o conhecimento (II)
Decidi estacionar o carro e seguir a pé. Num dia soalheiro e o palácio da justiça a cerca de quinhentos metros? Isso não era nada para um tipo como eu. Ou não tivesse jogado ténis até aos vinte e cinco anos e ganho alguns torneios. Ah!Ah!Ah! Aliás, foi no ténis que conheci a Teresa. De uma beleza espampanante e, ao mesmo tempo, de uma modéstia e de uma inteligência provavelmente inexcedíveis, segundo os meus padrões, claro. Assim a vi logo no primeiro contacto e essas impressões perduraram e foram sendo confirmadas e ultrapassadas posteriormente com o aprofundamento da nossa relação. Mesmo que tentasse, não seria capaz de disfarçar a admiração que senti por ela desde o princípio e que ela, a cada momento, mais me inspirava. E o fascínio? O respeito por uma mulher que eu, obviamente, idolatrava? Chamar cegueira a esta paixão pode ser um jogo de palavras mas não o julgo supérfluo.
Teresa estava avisada do meu atraso. Quando cheguei, ela esboçou um compreensivo sorriso e disse-me que a funcionária do tribunal já tinha chamado por nós, mas que lhe explicara a razão do atraso e que este seria breve. A funcionária aguardou que eu chegasse.
A nossa comparência no tribunal estava relacionada com um processo-crime em que Teresa era vítima de violência doméstica. E fico por aqui por causa do segredo de justiça.
Teresa estava avisada do meu atraso. Quando cheguei, ela esboçou um compreensivo sorriso e disse-me que a funcionária do tribunal já tinha chamado por nós, mas que lhe explicara a razão do atraso e que este seria breve. A funcionária aguardou que eu chegasse.
A nossa comparência no tribunal estava relacionada com um processo-crime em que Teresa era vítima de violência doméstica. E fico por aqui por causa do segredo de justiça.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Orquídea
Será como tu quiseres
E quanto imaginares
E me atreveres
Com os teus olhares
No altar do teu colo
Adoro e genuflecto
Para consolo
Te beijo o aspecto
Deixa-te levar
Na toada suave
Deixa-te tocar
Antes que o sonho acabe
Deixa-me levar-te
Fonte brota quente
Deixa-me exilar-te
Orquídea fremente
Será como disseres
Será como calares
Aceito o que me deres
Te dou o que aceitares
Sobre os teus lumes
Perco-me a morder
Curvas de volumes
Gritos de prazer
Anseio que mo dês
Como imagino dares
Na seminudez
A que chegares
E te vieres
E mo tirares
Sem te perderes
Nem transviares
Dos limites da loucura
Aos limites do prazer
Sem limites da ternura
Quando em ti amanhecer.
E quanto imaginares
E me atreveres
Com os teus olhares
No altar do teu colo
Adoro e genuflecto
Para consolo
Te beijo o aspecto
Deixa-te levar
Na toada suave
Deixa-te tocar
Antes que o sonho acabe
Deixa-me levar-te
Fonte brota quente
Deixa-me exilar-te
Orquídea fremente
Será como disseres
Será como calares
Aceito o que me deres
Te dou o que aceitares
Sobre os teus lumes
Perco-me a morder
Curvas de volumes
Gritos de prazer
Anseio que mo dês
Como imagino dares
Na seminudez
A que chegares
E te vieres
E mo tirares
Sem te perderes
Nem transviares
Dos limites da loucura
Aos limites do prazer
Sem limites da ternura
Quando em ti amanhecer.
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