Inspiro-me nas lágrimas
Ao vento me queixo
Ao vento grito
A minha pena
Sem descanso
Agito
Inspiro-me nos sorrisos
Ao céu me dou
Ao céu profundo
Canto
Do mundo
Inspiro-me nos gestos
Miro a traição
Do informe
Escrevo
A denúncia
Inspiro-me nos campos
Sem futuro
Com raízes
Transcendentes
Inspiro-me na eternidade
Que é
Não compreendo
O mistério do ser
E do sendo
Inspiro-me na música
Que não soa
No silêncio
Deixado por tudo
Que amei
Inspiro-me…
sexta-feira, 26 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
Entre o outro mundo e este
A mais oblíqua paleta
da tristeza mais perpétua
à alegria mais espontânea
é o poço do diabo
O diabo tem medo
e não passa pincéis
na rua do enxofre
Espalha matizes
de mar salgado
no que é mais breve
esse pano
de fundo
de que se veste
E vai com alguém
que não conheceste
de braço dado
entre o outro mundo
e este.
da tristeza mais perpétua
à alegria mais espontânea
é o poço do diabo
O diabo tem medo
e não passa pincéis
na rua do enxofre
Espalha matizes
de mar salgado
no que é mais breve
esse pano
de fundo
de que se veste
E vai com alguém
que não conheceste
de braço dado
entre o outro mundo
e este.
Carlos Ricardo Soares
sábado, 13 de junho de 2009
Beleza demolidora
Há uma verdade evidente num zumbido de vespa
(era uma scooter)
Interrompeu a sesta
Que parece fugir a qualquer controle
Há uma verdade evidente em tudo o que dizes
A preceito descapotável
Singrando de peito enfunado
Em sentido contrário
Ao do vento
Uma visão de todos os dias
(O tanas)
Era um portento
Uma beleza demolidora
De clichés inerentes
(Em voga)
Sem método e sem sustentáculo
Em vocábulos desaparecidos
Que regressaram à vida
(Dos poemas)
E desfrutam de respeito
Persistentemente à beira da metáfora
Tantas vezes desperdiçando o suor do rosto
A tentar evitar que o que aconteceu
Tivesse acontecido
Como passar a dura prova
Da infelicidade
Nenhum argumento é suficiente
Muito mais tarde
O arrebatamento é efeito de linguagem
Traçado peculiar de divisões
Que anunciam algo
Que não chega até nós
No meio de discussão infindável
Há quem ouça o eco de grandes almas
Ao acaso de ser poema
No declínio de duas ou mais eras
De poder corrupto
De amor ao dinheiro
De atrofia por insolência
E por ignorância laureada
Essas pitonisas emancipadas
Repertório de figuras
De ressonância sem sinceridade
Não pisam sequer o solo
Quanto mais um aposento délfico
Mas pronunciam sentenças
Austeramente simples
Sobre o futuro
Sem nenhum grau de codificação
Passado ou presente
Sobrepostos ou paralelos
Que perturbam a visão
Com a liberdade de regras
Destituída de atenção
E de predicados
Mas não de triunfo
E de desaire.
(era uma scooter)
Interrompeu a sesta
Que parece fugir a qualquer controle
Há uma verdade evidente em tudo o que dizes
A preceito descapotável
Singrando de peito enfunado
Em sentido contrário
Ao do vento
Uma visão de todos os dias
(O tanas)
Era um portento
Uma beleza demolidora
De clichés inerentes
(Em voga)
Sem método e sem sustentáculo
Em vocábulos desaparecidos
Que regressaram à vida
(Dos poemas)
E desfrutam de respeito
Persistentemente à beira da metáfora
Tantas vezes desperdiçando o suor do rosto
A tentar evitar que o que aconteceu
Tivesse acontecido
Como passar a dura prova
Da infelicidade
Nenhum argumento é suficiente
Muito mais tarde
O arrebatamento é efeito de linguagem
Traçado peculiar de divisões
Que anunciam algo
Que não chega até nós
No meio de discussão infindável
Há quem ouça o eco de grandes almas
Ao acaso de ser poema
No declínio de duas ou mais eras
De poder corrupto
De amor ao dinheiro
De atrofia por insolência
E por ignorância laureada
Essas pitonisas emancipadas
Repertório de figuras
De ressonância sem sinceridade
Não pisam sequer o solo
Quanto mais um aposento délfico
Mas pronunciam sentenças
Austeramente simples
Sobre o futuro
Sem nenhum grau de codificação
Passado ou presente
Sobrepostos ou paralelos
Que perturbam a visão
Com a liberdade de regras
Destituída de atenção
E de predicados
Mas não de triunfo
E de desaire.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Quem és tu
Por mais palavras que digas
É como Deus
O mais perfeito enigma
Para os anseios
Mas o que está mais perto
Dos meus sentidos
Por mais que te diga
Serei a chama do vento
Só quando superar
Todos os receios
De te incendiar.
É como Deus
O mais perfeito enigma
Para os anseios
Mas o que está mais perto
Dos meus sentidos
Por mais que te diga
Serei a chama do vento
Só quando superar
Todos os receios
De te incendiar.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Adega TóNel
No ponto mais setentrional das névoas perpétuas
No informe aglomerado de construções à chuva
Uma placa diz cidade e começam as galerias
De uma tarde na adega tonel
Que vai desembocar nesta folha de papel
E deparar sem saída com a porca
Das sete mamas de um cardápio virtual
Suspenso dos chifres de um bicho
De sete cabeças em espiral
Drapejando ruidosamente.
No informe aglomerado de construções à chuva
Uma placa diz cidade e começam as galerias
De uma tarde na adega tonel
Que vai desembocar nesta folha de papel
E deparar sem saída com a porca
Das sete mamas de um cardápio virtual
Suspenso dos chifres de um bicho
De sete cabeças em espiral
Drapejando ruidosamente.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
O poeta declara por sua honra
O poeta declara por sua honra
Que não sabe
Onde ouvirás sinos de palavra
Se nos sulcos de mãos limpas
Ou se é pouco ou nada estares
Disponível para azares
Se não os procurares
Que por envergares traje
E barrete napoleónicos
Ainda menos figura fazes
Do que uma cavalgadura
Que quem espera ser servido
Só conhecerá os manjares
Do que é requerido
Se o esperar é muito mais
Que o desdenhar
Incomparável é procurar
Que ao sábio se consinta
Invocar cepticismo
E que aos demais
A ignorância
Seja tolerada…
… … … … …
Que não sabe
Onde ouvirás sinos de palavra
Se nos sulcos de mãos limpas
Ou se é pouco ou nada estares
Disponível para azares
Se não os procurares
Que por envergares traje
E barrete napoleónicos
Ainda menos figura fazes
Do que uma cavalgadura
Que quem espera ser servido
Só conhecerá os manjares
Do que é requerido
Se o esperar é muito mais
Que o desdenhar
Incomparável é procurar
Que ao sábio se consinta
Invocar cepticismo
E que aos demais
A ignorância
Seja tolerada…
… … … … …
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Nós hoje
Órfãos de alguma espécie de apostolado
Estamos cercados
De falas
Como é difícil ao espectro
ficar calado!
Como é difícil ao espectro
Dizeres que o calas!
Como é difícil ao dinheiro
Não o gastar
A um poluente
Não o usar
Não ter uma sombra
E monologar
A campo aberto
Merdar!
Como é difícil estar certo
Não querer
Moeda falsa
Para poder
Ofertar!
Trabalhar cansa
E não acaba!
Se a vida não se vence
Para quê lutar?
Dai-me a luxúria
Sem corpo
Da ideia
Vazia
Ou o eco
Dos limites.
Estamos cercados
De falas
Como é difícil ao espectro
ficar calado!
Como é difícil ao espectro
Dizeres que o calas!
Como é difícil ao dinheiro
Não o gastar
A um poluente
Não o usar
Não ter uma sombra
E monologar
A campo aberto
Merdar!
Como é difícil estar certo
Não querer
Moeda falsa
Para poder
Ofertar!
Trabalhar cansa
E não acaba!
Se a vida não se vence
Para quê lutar?
Dai-me a luxúria
Sem corpo
Da ideia
Vazia
Ou o eco
Dos limites.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Desafios
As árvores de braços caídos
Sem vontade de céu
Onde estão
Rendidos
A uma paz de enterro
Que nos atormenta
Na fragilidade
De névoa matinal
De uma paisagem
Que flutua
Sobre tantos desafios
Uma haste
E uma bandeira a meio
Ladejando a estrada
Não sou eu que penteio
É o vento
Que agita a sacada.
Sem vontade de céu
Onde estão
Rendidos
A uma paz de enterro
Que nos atormenta
Na fragilidade
De névoa matinal
De uma paisagem
Que flutua
Sobre tantos desafios
Uma haste
E uma bandeira a meio
Ladejando a estrada
Não sou eu que penteio
É o vento
Que agita a sacada.
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