sexta-feira, 8 de maio de 2009

Desafios

As árvores de braços caídos
Sem vontade de céu
Onde estão
Rendidos
A uma paz de enterro
Que nos atormenta
Na fragilidade
De névoa matinal
De uma paisagem
Que flutua
Sobre tantos desafios
Uma haste
E uma bandeira a meio
Ladejando a estrada
Não sou eu que penteio
É o vento
Que agita a sacada.

6 comentários:

Salete Cardozo Cochinsky disse...

E ainda assim estas aí meu caro poeta Carlos.
Nem sempre podemos prever o tempo, suas condições e ao que ele nos reporta. Mas vem a reação e consegues criara um símbolo importatísimo.
Beijos
Salete

Carlos Ricardo Soares disse...

Olá Salete!

Eu sei que, felizmente, a minha infelicidade consiste tão-só em sentimentos de revolta e de incorformismo pelas injustiças e desgraças a que assisto. Mas tenho uma faceta de contra-poder que me é visceral, que me incompatibiliza com a arrogância «retórica» dos políticos.
Obrigado pela visita e pelo atento comentário.
Beijos.

Tere Tavares disse...

Carlos,
A bandeira que tremula, a das palavras, tem sempre um eco, mesmo que pareça, por vezes não fazer som algum. E podemos protestar usando-a.
Abraços

Carlos Ricardo Soares disse...

Olá Tere,

é sempre com agrado que me chega um comentário teu, mas mais ainda nesta fase de "diáspora" do GO, em que ficamos deslocados. Aos poucos nos adaptaremos a novas estratégias de comunicação.
Abraços

Djabal disse...

Existe uma expressão em chinês que diz sobre a poesia sem poesia, de alguma espécie. "É um graveto seco."
Falar de árvores sem vontade, névoa e vento dá a sensação de secura e da falta da poesia, mas não é o seu caso. O vento salvador que agita, nos salva da melancolia dando valor correto ao sorriso como contraponto da tristeza. Só assim ele é apreciado de verdade. Meus parabéns, poeta. Abraços.

Carlos Ricardo Soares disse...

Djabal,

você é um excelente crítico. De cada vez que comenta, acrescenta e valoriza com seus comentários, parecendo óbvio que não está a enriquecer mas apenas a reconhecer a ideia força.
É exemplo do que pode ser a crítica e um privilégio ler o que escreve.
Abraço.