domingo, 26 de abril de 2009

Com vistas para o Tejo

E chegou uma carripana
Com altifalantes
E desenhos de bichos
Nunca vistos

Iam contar a história de umas fantasmagorias
Com vozes distorcidas
Chamadas “uquês”

Eu estava à tua espera
Com a bonomia
E a felicidade
De um apaixonado
Mas não estava nas nuvens

Percorri quatrocentos quilómetros
Até Lisboa
Para te abraçar
E estar contigo

(Quem nunca se apaixonou
Não percebe o que digo)

Tu tinhas percorrido mil
E quando chegou o momento
Do nosso abraço
Nada se desmoronou
Nem o vento ganhou asas

Num exíguo espaço
Na pequena sombra
Entre duas casas
Com vistas para o Tejo
Numa rua torta
Quis o tempo
Ser essa tarde
E sem chave
Abrir a porta.

5 comentários:

Paulo-Roberto Ândel disse...

excelência de sempre, poeta! ave!

Djabal disse...

Meu caro poeta, dessa vez fui iludido pela carripana, pelas fantasmagorias, pela bonomia e a felicidade do apaixonado, e esperei, apenas uma vez, um final feliz.
Fui contrariado no meu mau gosto, por um momento quis o lugar comum, talvez por precisar; fiquei melancólico ao ler a bela realidade, veraz e inapelável. Meus parabéns.

Tere Tavares disse...

Carlos,
Como não peregrinar em veredas líquidas e navegar mesmo sem rumo?
Lindo poema, parabéns!

sueli schiavelli jabur disse...

gostei do total das obras lindas poesias, os fantasmas sempre rondam os amantes, só é capaz de compreender, quem ama, boa noite

Carlos Ricardo Soares disse...

Paulo,
Djabal,
Tere
e
sueli,

com esta mudança de «alojamento» está um pouco demorado responder e agradecer a vossa solicitude e presteza, que muito valorizo, como sabeis. Mas vamo-nos adaptar ao novo formato de blog, não é assim?
Abraços.