segunda-feira, 8 de novembro de 2010

De ancestral



Hoje as vinhas pareceram maiores
O sol mais lento
O céu mais azul e mais perto
E o vento
Para me entristecer
Cheirava a deserto

As folhas secas
Sem piedade
Voavam
Tordos escondidos
Detrás da cortina da tarde
Espiavam
E piavam
Pios de saudade

Hoje tudo era meu
Como era minha
A tristeza
De ir só
E o rio
Se mais não era
Parecia um lago
Lá ao fundo
 À minha espera
No outro mundo.


2 comentários:

Tere Tavares disse...

À nossa curiosidade doam-se outros mundos, com ou sem espera, mas sempre com observação.
Abraço

Djabal disse...

Saiba poeta, que o vento só cheira a poeira, e ela sempre se queda nas águas dos rios e dos lagos, que nos esperam, sim, mas depois de muitas e muitas voltas. Supresas e alegrias e decepções e poesia; muita poesia. Grande abraço.