Todas as artes têm em comum a arte, seja como artefacto, seja como espectáculo, seja como experiência dos sentidos, audição, gosto, tato, visão,
olfacto. Sem emoção a arte, o estético, a experiência estética, não acontece.
A experiência de quem frui a arte, o artefacto, o produto artístico, o objecto de arte, a
arte feita, é algo de uma dimensão diferente da experiência do artista enquanto criador, produtor, de arte.
Poder-se-ia falar de uma arte de apreciar a arte, como uma atividade mais complexa do que a mera
fruição do artefacto por contacto sensorial. A experiência estética do artista enquanto cria arte é algo de preliminar à experiência da fruição da obra, que ainda
não existe.
A intencionalidade da obra de arte é algo bem diferente da intencionalidade presente noutros tipos de atos mas, tal como a intencionalidade de outros atos pode ser o menos relevante, a intencionalidade
da arte pode ser a componente menos artística e menos valorizada.
De qualquer modo, parece-me que nas artes, estamos sempre entre aquilo que é e algo que talvez devesse ser numa perspetiva estética que
não se acomoda completamente ao artefacto.
Carlos Ricardo Soares