segunda-feira, 1 de março de 2010

Não vejo que morreste

Nem sei por que vou por aí
Chove e tenho sono
Estou doente
Não busco nada
Nem luz nem saúde
Nem significado
Devia estar em casa
E estou na rua
Devia estar vivo
E estou a morrer
A passos largos
Para o teatro na escuridão
Devia regressar
Retroceder
Mas não o faço
Nunca o fiz
Como nunca dei valor
A ser feliz
Passo pelos monumentos
E não os vejo
Pelos sítios onde havia monumentos
E não vejo que os tiraram
Pela casa onde moravas
E não vejo que morreste.

3 comentários:

Tere Tavares disse...

A pretensa ilisão de que as coisas ao redor deixam ou continuam de existir, apesar de nos, e sobre nos. Tudo vive, ainda que pereça.
Obrigada pelo momento amigo Carlos.
Abraço

Tere Tavares disse...

A pretensa ilusão de que as coisas ao redor deixam ou continuam de existir, apesar de nos, e sobre nos. Tudo vive, ainda que pereça.
Obrigada pelo momento amigo Carlos.

Abraço

Djabal disse...

Reconhecer seu estado, é o fado do poeta. Profeta de si próprio, sabe da infelicidade a que fomos, cá deste lado, condenados.
Mas o caminho que percorre é o da eternidade. Do inútil e precário das coisas mundanas e da busca do eterno.
Onde talvez haja algo que una. Uma balada onde a esperança se esconde, fica de canto olhando enciumada pela beleza daquela carreira de palavras. Será?
Meu amigo e poeta, fique com um grande abraço.