sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Esta noite não dormi

Esta noite não dormi
Bateste à porta
E o sono fugiu

Abri a fechadura dourada
Sem espreitar pelo monóculo
E os teus olhos originais
Como sempre
Foram
Lanternas na minha escuridão

Abri os braços antes de qualquer palavra
E contra o peito
Apertei uma mulher
Que largou tudo
Para me oferecer um sonho
Ainda virgem

Deixei de ter os pés na terra
Vénus estava na sala
E eu olhava-a
Das minhas vidas passadas

Esta noite não dormi a beijar-te
E a lançar a tua roupa
Para a via láctea
Como se soltasse raízes
Na cama.

1 comentário:

Djabal disse...

É agradável ao pensamento o fato dos seus sonhos tornados poesias, nos remetam também às vidas passadas. Os poetas da minha preferência têm esse viés. O da transmigração das almas, e esse momentos, como na prosa lá de cima, enlevam-me. Como habitualmente você o faz. Um grande abraço.