sexta-feira, 8 de junho de 2018

Como esta chuva que cai

E nesse tempo distante
A que houvesse de voltar
Ninguém me peça que cante
Nem me lembre de cantar

Não me peçam que não chore
Só me apetece chorar
Nem esperem que tudo ignore
Porque me quero lembrar

Passei metade da vida
A fugir da confusão
Mas não encontro saída
Da solidão

Eu não confio em deuses
Quem confia no diabo?
Sigo só como os ateus
Mas não sei como é que acabo

Olho para os meus desertos
Como um lagarto olha o mundo
Estar com os olhos abertos
É o que há de mais profundo

Como esta chuva que cai
Como este corvo crocita
Como esta gente que trai
Princípios em que acredita.

1 comentário:

Carlos Soares disse...


Como este sol que queima