sábado, 18 de dezembro de 2010

Uma voz que me chama

Uma voz que se ergue
Na noite cerrada
Mais doce e mais leve
Que um grama de nada
E tão bem a ouço
À voz amada
Tão bem encanta
A madrugada
Tão bem se estende
Para o dia
Mais sede e mais fome
Que a alegria
Chama
Sabe o meu nome
Arde
E não está queimada
Mais cedo e mais tarde
Que o tempo
Cresce
E não foi plantada.
                                                                                                                                                                               

1 comentário:

Djabal disse...

Talvez eu me repetirei, mas a comparação é inevitável.
Uma poesia com o romantismo tão latente, tão pulsante, me remete ao Quevedo: Somos feitos de pó, mas pó enamorado.
As imagens, singulares e belas, que sempre ficam das suas composições: aquela que cresce sem ser plantada,e arde sem estar queimada.
Inescrutáveis como o amor. Abraços.