sexta-feira, 26 de junho de 2009

Inspiro-me

Inspiro-me nas lágrimas
Ao vento me queixo
Ao vento grito
A minha pena
Sem descanso
Agito

Inspiro-me nos sorrisos
Ao céu me dou
Ao céu profundo
Canto
Do mundo

Inspiro-me nos gestos
Miro a traição
Do informe
Escrevo
A denúncia

Inspiro-me nos campos
Sem futuro
Com raízes
Transcendentes

Inspiro-me na eternidade
Que é
Não compreendo
O mistério do ser
E do sendo

Inspiro-me na música
Que não soa
No silêncio
Deixado por tudo
Que amei
Inspiro-me…

4 comentários:

  1. Amigo, parabéns pelo texto e pelo blog!

    Queremos sua companhia no passeio "Entrando no Mato" do Multivias...

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  2. "Sem descanso
    Agito
    Canto
    Do mundo
    Escrevo
    A denúncia
    Com raízes
    Transcendentes
    O mistério do ser
    E do sendo
    Que amei
    Inspiro-me..."

    Faz algum tempo que consigo ler a sua obra, como um palimpsesto ou, às vezes, um caleidoscópio. Ela tem vários significados, ora ambíguos, ora certeiros, mas sempre com um toque de neblina que avança, que "conserva o antigo tremor".
    E desse tremor alegre, triste, inspirador que sobrevivo dia-a-dia.
    É plausível acrescentar uma melodia, para alegria ainda maior da alma do leitor. Um efusivo e alegre abraço. Espetacular sua poesia.

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