sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Praça
Vejo florescer as árvores
na praça etérea
de um chafariz mortiço
da memória
se houvesse um centro
na minha noite
essa noite
seria a minha história
e o centro seria a tua
penumbra da lua
que ao nascer
do dia
amua
e deslumbra
sem solução de continuidade
da solidão
do princípio ao fim
do tempo
ainda que eu nada faça (espero)
os universos movem (se)
por mim.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Momentos fugazes
Oh! Fugazes momentos
Que só Deus retém
Efémeras mentiras, é
verdade,
É o melhor que a vida
tem
Verdades efémeras,
Que saudade!
Ilusões com mais
realidade
Do que ela tem.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
E é a mim
Às três pancadas
em margens ocultadas
Do vão
Adrede morde
A mão
Te impede
A toda a brida
Dei comigo a sonhar
Até acordar
Que os seres
Na sua fascinante
variedade
Parecem ser
A realização
A realização
Do sonhar
E fantasiar
E é a mim
Que acontecem estas
coisas
Que o não são.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
A nascer dos pés
As temperaturas
ao sol ardente
brisa no sisal
de Angola
amor
sem roupa
nem medo nem sinal
das marés
nas sandálias do pescador
de ondas
de amplitudes
de sedimentos
a nascer
dos pés
a propagar
da abissal planície
uma voz
a cantar
a solidão
daquele lugar
que o mar
sentisse
a pulsar.
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