Conto ao meu tempo
que o meu tempo sabe
e me ensina
a felicidade infeliz
que assim foi
como dizem que assim
é
agora
ao depois que fora
apenas a voz do que
era
ninguém ignora
lança ou expande
da terra
o que a canto destina
e a terra eleva
sem tempo
escreva.
As luzes da cidade
não me deixam ver as estrelas
são como velas
que alumiam
o caminho para o céu
A chama dos pensamentos
É uma estranha dança ao espelho
Com música e tambores
Que nos ignoram
Se o pensamento é caótico
mais inábil do que o instinto
a saída
do labirinto é
(como penso)
o que sinto
Não te canses de perguntar
se as coisas têm de ser como são
se podes retribuir aos burros
todo o bem que te fazem.
Não consegues regressar
para recuperar o que perdeste
e não querias
para fazeres o que não fizeste
por não saberes
ou porque não podias
não consegues esvaziar a mente
da tristeza
das derrotas
e das vitórias
não colheste alegrias
não foste capaz de amar
por não achares quem mereça
o sonho
sonhar sonhaste
com nada do que aconteça
a vida é sonho
paralelo à morte
tempestades
em que ninguém se salva
não consegues imaginar como será
como seria
a felicidade de um novo dia
se o mundo nunca tivesse existido
para a alma
começar do zero.